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Homem pedala por 18 anos para agradecer transplante

17 de agosto de 2008 20h03 atualizado às 20h11

Ele afirma que viveu os primeiros 13 anos de vida internado num hospital em Campo Grande. Foto: Omar Jacob/Especial para Terra

Ele afirma que viveu os primeiros 13 anos de vida internado num hospital em Campo Grande
Foto: Omar Jacob/Especial para Terra

Antônio Rogério do Nascimento, ou Nego Asfalto, como prefere ser chamado, partiu de Corumbá, interior de Mato Grosso do Sul, há 18 anos de bicicleta para pagar uma promessa. Ele nasceu com problema congênito nos rins e pulmões e viveu até os 13 anos com a ajuda de aparelhos. Ele prometeu a Nossa Senhora Aparecida que, se conseguisse um transplante, iria passar 30 anos pedalando, sem parar. Desde então, já percorreu 13 países da América Latina, incluindo o Brasil. Ele pretende seguir viagem até Belém, no Pará, de onde quer prosseguir até a África, por onde quer pedalar por mais 12 anos.

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"Faço isso porque devo a Deus e a Nossa Senhora Aparecida", diz Nascimento. Ele afirma que viveu os primeiros 13 anos de vida internado num hospital em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul.

Ele deixou a família, em Corumbá (MS), próximo à fronteira com a Bolívia, para saldar a dívida que ele acredita ter com Deus. Ele começou a jornada pela Bolívia, vizinha a sua terra natal; daí seguiu por vários países da América Latina, como Argentina, Chile, Peru, Equador, Colômbia, Paraguai, Venezuela, Guiana Francesa, Suriname, Guatemala, México e agora voltou ao Brasil. Depois de tantos anos em terras onde o idioma oficial é o espanhol, ele não se intimida quando questionado na língua espanhola.

Disse que na Argentina sofreu preconceito e foi taxado de "perrito negro", cachorro preto em português. Em contrapartida, disse que os chilenos foram extremamente hospitaleiros. Nêgo do Asfalto sobrevive com ajuda de caminhoneiros, prefeituras e "bons samaritanos" que contribuem com roupas, alimentação, peças para manutenção da bicicleta e, em alguns casos, até uma nova.

"Não me canso não. Só posso parar quando terminar os 30 anos e ainda faltam 12", diz determinado. Essa semana ele passou por Fortaleza, no Ceará, e segue, sempre por rodovias federais, com destino a Belém, no Pará, com paradas em Teresina, no Piauí e São Luís, no Maranhão.

"Falo sempre que posso com a minha mãe. Ela chora sempre, tem saudades", diz, explicando que a rotina não é fácil. Ele só viaja à noite, porque não sofre com o sol. A bicicleta é equipada inclusive com uma lanterna do tipo "xenon" que ilumina até 60 m. A atual bicicleta já é a quarta. Ele garante que ela vai ainda durar muitos anos, mesmo depois dos 1.610 km de estrada que vai percorrer até Belém.

"Essa daqui ainda vai comigo para a África. É lá que eu vou terminar a promessa, em Angola", afirma. Nêgo diz que já decidiu a data da partida - 7 de setembro de 2009. No continente africano, ele quer percorrer todos os países.

Mesmo com tanto esforço ele garante que não quer medalha olímpica, ou registro no Guiness Book, o livro dos recordes. O maratonista olímpico diz que só quer ficar quite com a promessa.

Especial para Terra