Dantas nega ter mandado subornar delegado da PF

13 de agosto de 2008 • 17h26 • atualizado às 20h40

Marina Mello
Direto de Brasília

Brasil


O banqueiro Daniel Dantas negou, durante depoimento na CPI das Escutas Telefônicas, que tenha alguma relação com a tentativa de suborno que culminou na prisão do ex-presidente da Brasil Telecom Humberto José Rocha Braz, preso na Operação Satiagraha da Polícia Federal. Braz foi solto graças a um habeas-corpus concedido pelo ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Humberto Braz estava preso em uma penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, sob acusação de corrupção ativa. Ele e Hugo Chicaroni foram presos sob suspeita de tentar subornar o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves para que Dantas não fosse investigado.

A PF acredita que Braz e Chicaroni eram emissários do banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, nessa operação. Mas na tarde desta quarta-feira, ao ser questionado pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) se o dinheiro oferecido ao delegado era do grupo Oportunity, Dantas negou.

O banqueiro disse apenas que após ser demitido da Brasil Telecom, Braz trabalhou como consultor para o grupo de Dantas e que ele "coordenava parte das atividades jurídicas". Ao ser questionado sobre os motivos que levaram Braz a ser preso, Dantas respondeu: "desconheço os fatos que motivaram a prisão".

Ao ser questionado sobre sua relação com o investidor Naji Nahas, também preso durante a Operação Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas disse que os dois foram adversários no período de compra da Brasil Telecom, mas que nunca foram inimigos. Dantas ressaltou que eles nunca fecharam nenhum tipo de negócio juntos.

Dantas explicou que, apesar de Naji representar interesses da Telecom Italia, que disputava com Dantas o controle da BrT, o clima "cordial" sempre foi mantido. "Passada a negociação, não tinha mais adversalidade. Antes teve adversalidade, mas adversalidade nem sempre tem que levar a inimizade porque a inimizade é improdutiva e é para sempre. Com o Naji eu nunca tive inimizade, ele representava um interesse diferente do meu. Nas negociações, ele sempre se portou de forma cordial", explicou.

Segundo ele, passado o período das negociações em torno do comando da BrT, os dois chegaram a conversar sobre negócios, mas nada foi concretizado. "Nunca tivemos negócios, depois, ele tentou me oferecer terrenos que tinha para vender, mas não foi feita nenhuma transação", disse.

Redação Terra
 
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