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Alerj cassa o mandato do deputado Álvaro Lins

12 de agosto de 2008 19h06 atualizado em 13 de agosto de 2008 às 00h33

O deputado Álvaro Lins chega ao Plenário. Foto: Daniel Gonçalves/Terra

O deputado Álvaro Lins chega ao Plenário
Foto: Daniel Gonçalves/Terra

O Plenário da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) decidiu cassar o mandato do deputado Álvaro Lins (PMDB) por 36 votos a 24 por quebra de decoro parlamentar. Três deputados se abstiveram de votar e sete estavam ausentes. Ele é acusado de liderar um esquema que cobrava propina de empresários e bicheiros para facilitar o funcionamento de atividades ilegais, como máquinas caça-níqueis, entre 2000 e 2006, período em que foi chefe da Polícia Civil.

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A decisão dos parlamentares acompanhou o relatório elaborado pelo deputado Audir Santana (PSC) e aprovado pelo Conselho de Ética, na semana passada. A votação no Plenário foi secreta, como prevê o regimento. O processo por quebra de decoro contra Álvaro Lins foi aberto após sua prisão em 29 de maio, na Operação Segurança Pública S.A, promovida pela Polícia Federal.

O deputado foi detido por agentes federais em um apartamento supostamente comprado para lavar dinheiro, mas os parlamentares resolveram soltá-lo no dia seguinte. A Assembléia Legislativa possui essa prerrogativa legal em caso de prisão em flagrante.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Álvaro Lins responde por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção passiva e facilitação ao contrabando, por causa do suposto esquema montado dentro da Polícia Civil.

Outras 15 pessoas foram denunciadas, incluindo o ex-governador Anthony Garotinho por formação de quadrilha armada. De acordo com o MPF, sem a participação direta do político, a quadrilha não se manteria dentro do governo.

Álvaro Lins foi eleito deputado estadual com 108.652 votos. Ele é delegado da Polícia Civil desde 1997, quando foi aprovado em primeiro lugar no concurso público promovido pela instituição.

Defesa de Lins
Antes da votação, onze deputados subiram na tribuna para expressar sua opinião sobre Lins e divulgar o voto favorável à cassação. O ex-deputado também fez uma defesa de 30 minutos no Plenário, em que se comparou ao super-herói Homem-Aranha.

"O meu filho de 9 anos perguntou por que todos (os familiares) estavam tão preocupados. Nós explicamos o que estava sendo dito nos jornais. Ele então respondeu para eu não me preocupar porque no filme Homem-Aranha o jornal também fala mal dele (do super-herói)", disse.

Lins se defendeu de todas as acusações e comparou a Polícia Federal e a imprensa a "porcos e cachorros" que estão tentando incriminá-lo injustamente. "Quando a imprensa entra pela porta de um tribunal, a Justiça sai pela janela. Não vai ser atirando um deputado aos leões que esses porcos e cachorros vão se saciar", disse.

Ele acusou o Conselho de Ética da Alerj de ser pautado pela mídia e afirmou que, no Brasil, a Constituição diz que todos são inocentes até que se prove o contrário. "Eu nem responder a processo respondo. Há apenas uma denúncia que a Justiça vai analisar ainda", afirmou.

Os deputados que se mostraram favoráveis à cassação na tribuna foram: Nilton Salomão (PMDB), Wagner Montes (PDT), Gilberto Palmares (PT), Paulo Ramos (PDT), Marcelo Freixo (Psol), Luís Paulo Corrêa (PSDB), Aparecida Gama (PDT), Ronaldo Medeiros (PSB), Pedro Paulo (PSDB), André Corrêa (PPS) e Alessandro Molon (PT). Eles afirmaram que era obrigação da Casa cassar o mandato de Lins para recuperar a honra da Alerj perante o povo.

Redação Terra