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Expulsão de jornalista do NYT repercute no mundo

12 de maio de 2004 09h25 atualizado às 09h25

A chefe da Associação de Correspondentes Internacionais, Veronica Goyzueta, criticou, em reportagem publicada no jornal The Washington Post, a decisão do governo federal de expulsar do Brasil o correspondente do New York Times Larry Rohter. Jornais da Inglaterra, Espanha e Argentina também repercutiram o caso nas edições de hoje.

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Segundo Goyzueta, funcionária do jornal espanhol ABC, este "é um caso de censura e perseguição de um governo democrático". "E de um governo formado por pessoas que sofreram perseguição", ressaltou.

A decisão do governo deixa o presidente Lula "em uma posição ridícula", na opinião de Rohan Jayasekera, editor da revista anglo-americana Index on Censorship, que tem como objetivo proteger o direito de expressão de jornalistas de todo o mundo e denuncia casos de censura.

"O presidente de um país tão grande e importante deveria ter ignorado a matéria", disse o editor, em entrevista à BBC Brasil. Jayasekera qualificou como "exagerada" a reação do governo brasileiro. "O cancelamento do visto de um jornalista é uma atitude usada pelo governo de Robert Mugabe no Zimbábue. O Brasil é uma democracia madura, mas essa decisão de Lula foi infantil."

Já o secretário-geral da Federação Internacional de Jornalistas, Aidan White, disse à BBC Brasil que foi com "grande decepção" que a organização recebeu a notícia do cancelamento do visto de Rohter. "Havia grandes esperanças de que o novo governo brasileiro fosse mais aberto", afirmou White. "Foi uma atitude injustificável, pois críticas desse tipo fazem parte do mundo democrático." White disse que vai consultar os representantes da Federação no Brasil para poder fazer um pronunciamento oficial.

Na Grã-Bretanha, o diário The Independent publica uma reportagem com o título "Brasileiros se recusam a engolir relatos do alcoolismo de Lula". A reportagem, assinada pelo correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Michael Astor, cita jornais brasileiros que dizem que o New York Times se baseou em boatos. A porta-voz do jornal norte-americano afirma ao Independent que confirma o que foi publicado. "Acreditamos que nossa reportagem foi precisa", diz Catherine Mathis.

A expulsão do correspondente New York Times também foi pauta de uma reportagem do espanhol El País, que condenou a atitude do governo brasileiro.

O argentino La Nacion publicou uma reportagem sobre o fato ressaltando o ineditismo da decisão de expulsar Rohter e os rumores que começam a correr no Brasil de que a reportagem faz parte de uma conspiração mais ampla orquestrada por interesses americanos.

O La Nación lembrou que o Brasil não é o primeiro país a ter problemas com Rohter. A publicação informou que, em julho de 2002, o jornalista acusou o ex-presidente da Argentina, Carlos Menem, de ter recebido US$ 10 milhões de um agente do Irã para encobrir uma suposta ligação do governo de Teerã com o atentado contra a Amia.

O também argentino Clarín fez uma reportagem de capa sobre a expulsão de Larry Rohter do Brasil.

Redação Terra