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 Militares: governo tem é que se preocupar com as Farc
07 de agosto de 2008 16h08 atualizado às 20h20

Os militares divulgaram um documento com críticas à Lei da Anistia. Foto: Ernani Alves/Especial para Terra

Os militares divulgaram um documento com críticas à Lei da Anistia
Foto: Ernani Alves/Especial para Terra

Militares da reserva divulgaram um documento esta tarde, no Rio de Janeiro, com críticas ao governo Lula como resposta às declarações dos ministros da Justiça, Tarso Genro, e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, sobre a Lei de Anistia. Os dois defenderam a punição dos militares que atuaram como torturadores durante o período da ditadura. No documento, os militares afirmaram que o governo deve se preocupar com outros assuntos, como a suposta relação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

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"Se houvesse mesmo interesse em debater problemas nacionais, os dois ministros deveriam optar por algo mais atual e que incomoda em maior intensidade: os inúmeros escândalos protagonizados por figuras da cúpula governamental ou, ainda mais recente, a gravíssima suspeita de envolvimento de alguns deles com as Farc", afirmam os militares no documento.

A mensagem foi elaborada pelos presidentes dos clubes Militar, general do Exército Gilberto Barbosa de Figueiredo, da Aeronáutica, tenente brigadeiro Carlos de Almeida Batista, e Naval, almirante José Júlio Pedrosa. O documento foi lido na abertura do seminário sobre a Lei de Anistia promovido no clube militar.

O evento reuniu cerca de 600 pessoas no prédio da instituição, no centro do Rio de Janeiro. Entre os presentes estavam o comandante militar do leste, general Luiz Cesário da Silveira, e os ex-ministros do Exército Leônidas Pires Gonçalves e Zenildo Zoroastro de Lucena. Assim como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o Doi-Codi (órgão de repressão aos grupos de tendência esquerdista) de São Paulo entre 1970 e 1974. Ele não quis falar com a imprensa.

"O sentido desse nosso encontro é debater os aspectos jurídicos da Lei de Anistia. Nós temos que consolidar uma democracia, temos que parar com picuinha e olhar para a frente. Vamos construir um País que cresça como nação", destacou o presidente do clube militar, general Figueiredo.

Do lado de fora do Clube Militar, integrantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e do movimento Tortura Nunca Mais fizeram uma manifestação com faixas e cartazes defendendo o posicionamento dos ministros Tarso Genro e Paulo Vanucchi. Alguns militares chegaram a discutir com os manifestantes ao deixarem o prédio.

Redação Terra