Documentos da Suíça comprometem Maluf

07 de maio de 2004 • 20h26 • atualizado às 20h26

Extratos bancários enviados de Genebra, na Suíça, ao Brasil aumentam as suspeitas contra o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf. A TV Globo exibiu esta noite informações que estão nos cerca de 20 quilos de documentos, analisados por uma força-tarefa de promotores e procuradores da República que conseguiram, pela primeira vez, a quebra no exterior do sigilo bancário de um político brasileiro.

Os extratos mostram, de acordo com a emissora, que Maluf seria o titular de 20 contas de investimentos no Citibank de Genebra. Todas as contas estavam em nome da empresa, Blue Diamond, (Diamante Azul em inglês), aberta em julho de 1985. Mais tarde, a empresa foi rebatizada de Red Ruby, (Rubi Vermelho). Na ficha do banco, o único beneficiário das empresas era Paulo Maluf. A assinatura seria a mesma da declaração de bens que Maluf entregou à Justiça Eleitoral em 2000, que não faz menção a contas no exterior.

A maior movimentação, segundo os extratos, ocorreu em 1995, terceiro ano de Maluf, eleito em 1992, como prefeito de São Paulo. Apenas em um dia teria sido movimentados US$ 100 milhões (R$ 306 milhões). A maior de todas as movimentações de 1995 foi no dia 12 de dezembro: US$ 200 milhões (R$ 612 milhões) em duas movimentações.

Suíça desencadeou investigação
A investigação começou em agosto de 2001, quando o núcleo de inteligência do Ministério da Justiça da Suíça, numa investigação sobre crimes financeiros, revelou a promotores e procuradores brasileiros a existência das contas bancárias. Em agosto daquele ano, o governo suíço pediu a autoridades brasileiras informações sobre Paulo Maluf. O objetivo era identificar a origem do dinheiro.

Desde então, promotores e procuradores ouviram pelo menos 50 testemunhas e juntaram milhares de documentos. O resultado da investigação foi traduzido para o francês e encaminhado a um juiz criminal em Genebra, que, diante das provas, autorizou a quebra do sigilo bancário de Paulo Maluf. Os documentos brasileiros também convenceram as três instâncias do Poder Judiciário suíço, que determinou a remessa dos extratos de todas as movimentações financeiras de Maluf e sua família.

Obras suspeitas
O dinheiro enviado à Suíça, segundo a investigação citada pela TV Globo, envolveriam a construção do túnel Ayrton Senna e da antiga Avenida Água Espraiada - atual Avenida Jornalista Roberto Marinho. Apenas na Água Espraiada, dos R$ 800 milhões do custo da obra, R$ 550 milhões teriam sido desviados. O Ministério Público afirma que dinheiro foi transformado em dólares. Cheques das empresas envolvidas na construção mostram que depois os dólares deixaram o Brasil, sendo enviados ao Uruguai, Nova York, nos Estados Unidos, Genebra e, finalmente, a ilha Jersey.

O ex-diretor de uma das empreiteiras contratadas pela prefeitura, ouvido pela investigação, afirma que o valor da propina negociada era de 37%. De acordo com a emissora, 20% seriam de Maluf e os outros 17% distribuídos numa cadeia de corrpção que envolvia fiscais e até diretores da empresa da Emurb, empresa que fiscaliza obras públicas em São Paulo.

Assessor de Maluf nega acusações
Autoridades de Jersey bloquearam o dinheiro depois que foram alertadas pela Suíça e pediram oficialmente ao governo brasileiro informações sobre Paulo Maluf, a mulher dele, Silvia, o filho Flávio e a nora Jaqueline. O dinheiro continua bloqueado, segundo o Ministério da Justiça informou aos procuradores. A Justiça brasileira já deu sentença favorável à manutenção do bloqueio.

O Citibank de Genebra teria informado, nos documentos, que uma das pessoas autorizadas a movimentar as contas bancárias da empresa de Naluf é Gunter Woernle, um especialista em finanças. A ele, o ex-prefeito de São Paulo teria dado ordens para ser aberta uma subconta, de US$ 375 mil, em nome de Flavio Maluf. A emissora afirmou que Maluf não quis gravar entrevista. Um assessor dele negou as acusações, atribuindo-as a uma pesquisa recente que coloca o ex-prefeito na liderança da eleição para a prefeitura.

Redação Terra
 
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