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Estudo: Amazônia perde 1,5 campo de futebol por minuto em junho

28 de julho de 2008 22h03 atualizado às 22h44

A Amazônia perdeu o equivalente a um campo de futebol e meio por minuto em junho por conta do desmatamento, totalizando 612 km² no mês, informou o Imazon, instituto de pesquisa não-governamental dedicado a estudar a floresta. O desmate do mês de junho foi 23% maior do que o registrado no mesmo período de 2007, de acordo com o Imazon. Em junho do ano passado, a floresta perdeu 499 km², segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

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"Os dados mostram um desmatamento concentrado em regiões onde houve a expansão de novas fronteiras agrícolas", afirmou o pesquisador Adalberto Veríssimo, coordenador do Projeto Transparência Florestal do instituto. O Pará foi o recordista de destruição da floresta em junho, respondendo por 63% da área perdida. Em seguida vieram Mato Grosso (12%), Roraima (11%) e Amazonas (10%). Os demais Estados da chamada Amazônia Legal contribuíram com cerca de 4% para o desmate total.

Segundo Veríssimo, o desmatamento no Pará é mais facilmente percebido em três áreas distintas: às margens da rodovia BR-163 para uso da pecuária extensiva; à beira da rodovia Transamazônica, por assentamentos e propriedades de pequeno e médio portes, voltadas sobretudo à pecuária; e na região de Marabá. "Em Marabá, as árvores são arrancadas para a produção de carvão para alimentar a indústria de ferro gusa", afirmou.

Os dados do SAD também mostraram que a Amazônia perdeu 4.754 km² de floresta entre agosto do ano passado e junho deste ano, elevação de 9% na comparação com o acumulado entre agosto de 2006 e junho de 2007. "Podemos constatar que o desmatamento está crescendo, mas não a níveis estratosféricos", afirmou Veríssimo.

Ainda de acordo com os dados do Imazon, a maior parte do desmatamento registrado em junho ocorreu em áreas privadas, sob diversos estágios de posse ou devolutas: 68%. Depois vieram o desmatamento em assentamentos da reforma agrária e em unidades de conservação, com 18% e 10%respectivamente. A destruição de florestas em áreas indígenas respondeu por 3% do desmate em junho.

Segundo Veríssimo, apesar de haver nos dados reflexos da alta dos preços das commodities, sobretudo da cana-de-açúcar, o governo tem encontrado mais dificuldade em controlar o desmatamento especulativo, muitas vezes promovido "por pessoas que operam na ilegalidade". "A maneira mais eficiente de tomar conta da terra é desmatar, ainda que não se produza nada ali. Isso sinaliza que aquele pedaço de terra tem dono", explicou. "Muitas vezes, as pessoas desmatam essas terras na expectativa de vendê-las depois."

Inpe
Os números sobre desmatamento da Amazônia considerados oficiais pelo governo federal, apurados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, serão divulgados amanhã e devem ser comentados no mesmo dia pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Os dados do Inpe, que usa como parâmetro o sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), costumam ser diferentes dos apurados pelo SAD, do Imazon. Isso ocorre, segundo Veríssimo, porque o Imazon computa em seus dados apenas o corte raso, em que toda a área é desmatada. Já o Inpe considera desmatamento a soma do corte raso com o das áreas degradadas, em que ainda há floresta, apesar dos danos.

Por exemplo, enquanto o Inpe apontou desmatamento de 1.096 km² em maio e liderança do Mato Grosso entre os Estados que mais desmataram, o Imazon registrou desmatamento bem menor, 298 km², e o Pará como o que mais desmatou.

Reuters
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