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O confisco da droga ocorreu menos de um mês depois que a PF desencadeou, em novembro, a Operação Fênix. O objetivo era prender integrantes da quadrilha, que estaria recebendo ordens do traficante de dentro da cadeia.
A constatação do poder de Beira-Mar figura em relatório concluído este mês pela Justiça Federal sul-matogrossense. O documento ressalta que o traficante continua dirigindo as atividades de sua organização criminosa de dentro do presídio de Campo Grande.
De acordo com o relatório, Beira-Mar dá as ordens por intermédio de cartas ou de recados transmitidos a visitantes. Segundo a Justiça, a desarticulação de parte de sua quadrilha não freou as atividades dele, condenado por tráfico internacional de drogas, armas e munição e lavagem de dinheiro.
"Beira-Mar continua a comandar sua organização criminosa de dentro dos presídios federais, desejando transformá-los em 'escritório do crime'", diz o relatório, datado de 3 de julho.
O poder exercido por Beira-Mar não seria apenas o de articulação criminosa. Também seria econômico, como prova a fazenda Campanaí, que pertence ao traficante, situada na cidade paraguaia de Capitan Bado, a 18,8 km de Coronel Sapucaia (MS). Na propriedade, há 4 mil cabeças de gado, oito mil tilápias, pista de avião com um km de extensão, uma sede e piscina.
A 2ª Vara da Justiça Federal no Paraná, onde corre o processo da Operação Fênix, enviou pedido de seqüestro da propriedade ao judiciário paraguaio. Mas o pedido ainda não foi respondido.
O juiz criminal da 3ª Tribunal Regional Federal do Mato Grosso do Sul e corregedor do presídio federal de Campo Grande, Odilon de Oliveira, admite que ainda hoje o preso consegue tocar seus negócios.
"Tentei impedir essa prática criminosa, reduzindo suas visitas de semanais para quinzenais e através do parlatório (cabine com vidro e microfone), zerando sua correspondência. Mas o TRF cassou a decisão", lamentou. Segundo o magistrado, o traficante recebe e envia por mês cerca de 15 cartas invioláveis.
Outro resultado da liderança de Beira-Mar seriam pelo menos 30 assassinatos na região da fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai, nos últimos cinco meses. O motivo seria uma disputa territorial entre a facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e a carioca Comando Vermelho (CV), cujo o principal líder na fronteira é Beira-Mar.
Facções em guerra
As duas principais organizações criminosas do País, Comando Vermelho (Rio) e Primeiro Comando da Capital (São Paulo), que até fevereiro deste ano conviveram 'pacificamente' na região de fronteira e teriam atuado juntas em algumas operações de crime, estão em guerra declarada na fronteira de Ponta Porã (MS) com Pedro Juan Caballero, Paraguai. A disputa pelo domínio da fronteira totalizaria 30 mortos.
De um lado, Fernandinho Beira-Mar, líder do CV e, de outro, Nilton Cezar Antunes Veron, o Cezinha, chefe do PCC, facção criminosa que possui ramificações em diversos presídios do País.
Plano para matar
Entre as execuções supostamente ordenadas pelo chee do tráfico na fronteira, consta a da promotora Márcia Velasco, do Rio de Janeiro, que atua no processo contra a quadrilha de Beira-Mar desde 1999. No dia 19 de junho, o traficante contou ao preso Mário Estevão Pereira, que determinou a morte da promotora e do juiz Odilon, reiterando seu ódio conta os dois.
"Tenho raiva do dr. Odilon e ódio mortal pela Márcia Velasco. É só uma questão de oportunidade", afirmou Beira-Mar. A Superintendência de Inteligência do Sistema Penitenciário transformou o diálogo em documento oficial e o caso está sob investigação.
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