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 Rocinha: tráfico teria vetado visita de candidato
24 de julho de 2008 17h29 atualizado às 18h58

Além de armas e drogas, os policiais civis encontraram, na operação realizada nesta manhã na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, o que seria uma "ata de reunião" em que o suposto chefe do tráfico da favela, Antônio Francisco Lopes (conhecido como Nem), diria que não admite a presença de outros candidatos que não o "candidato da Rocinha". Além disso, o suspeito alertaria os moradores para não agendarem visitas para outros candidatos no documento.

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Segundo a polícia, o candidato a vereador apoiado por traficantes seria Luiz Cláudio de Oliveira (PSDC), o Claudinho da Academia, presidente da União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha (UPMMR). O documento teria nove pontos. Em um deles, o suposto chefe do tráfico reclamaria de Waldemar do Gás (principal vendedor de botijões na favela) pelo fato de ele não apoiar ninguém e fala em romper com ele.

No texto, Lopes também diria que o William da Rocinha não teria mais autorização para falar como liderança porque teria vazado informações para uma matéria sobre toque de recolher na favela. A pauta mostraria ainda que Nem mandaria no camelódromo, nas vans e no mototáxi.

O documento teria nove pontos. Em um deles, o suposto chefe do tráfico reclamaria de Waldemar do Gás (principal vendedor de botijões na favela) pelo fato de ele não apoiar ninguém e fala em romper com ele.

No texto, Lopes também diria que o William da Rocinha não teria mais autorização para falar como liderança porque teria vazado informações para uma matéria sobre toque de recolher na favela. A pauta mostraria ainda que Nem mandaria no camelódromo, nas vans e no mototáxi.

Panfletagem com escolta policial
A candidata a vereadora Ingrid Gerolimich (PT) foi a primeira a panfletar na favela, na última terça-feira, mas levou escolta policial. Ela teria enfrentado a hostilidade de cabos eleitorais de Claudinho da Academia.

A candidatura de Claudinho é investigada pela Polícia Federal, por três delegacias especializadas e pelo TRE por suspeita de ter sofrido interferência do traficante conhecido como Nem.

Um morto e dois feridos
Por volta das 6h30, cerca de 150 policiais civis chegaram à favela. Houve intenso tiroteio com grupo de 15 suspeitos. Um morreu e outro foi ferido. Uma moradora foi atingida por duas balas perdidas enquanto dormia.

Na parte alta da favela, policiais trocaram tiros com criminosos que seriam do Complexo de São Carlos, zona norte da cidade, e que estariam refugiados na Rocinha.

Nas proximidades, no local conhecido como Portão Vermelho, a empregada doméstica Maria Eva Rodrigues, 43 anos, foi atingida nas costas e no glúteo por bala perdida. A vítima estava deitada em sua cama, quando foi alvejada. Ela foi operada no Hospital Miguel Couto, na Gávea, na zona sul. Segundo a irmã da vítima, a casa de madeira de Maria Eva tem 25 perfurações à bala.

O filho dela, que tem 11 anos, disse que colocou a mãe no chão para evitar que ela fosse atingida novamente. Depois, ele começou a gritar na janela que a mãe estava morrendo. O socorro teria demorado 20 minutos para chegar.

Um tiro também atingiu o transformador e a fiação próximo a uma loja de colchões em um prédio de três andares, na rua do Valão. O local pegou fogo. O dono da loja de colchões, Eduardo Moraes Fonseca, 44 anos, estima que o prejuízo seja de R$ 70 mil. Ele disse que os bombeiros demoraram pelo menos 20 minutos para chegar.

O delegado Allan Turnowski, responsável pelo Departamento de Polícia Especializada, disse que o objetivo da incursão era descobrir o esconderijo de criminosos e paiol de armas, além de apreender armas, drogas e recuperar veículos roubados.

Ninguém foi preso, mas a polícia apreendeu três fuzis, drogas e mochila com equipamentos para clonagem de cartão de crédito. Dois carros e pelo menos 15 motos foram recuperadas.

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