Polícia: grupo de deputado teria causado 80 mortes

23 de julho de 2008 • 09h10 • atualizado às 10h54
Natalino foi autuado pelos crimes de porte ilegal, formação de quadrilha e tentativa de homicídio
Natalino foi autuado pelos crimes de porte ilegal, formação de quadrilha e tentativa de homicídio
23 de julho de 2008
Osvaldo Praddo/O Dia

Os policiais da 35ª Delegacia do Rio de Janeiro vão concentrar parte de suas investigações nas 10 armas apreendidas na casa do deputado estadual e ex-policial civil Natalino Guimarães (DEM), acusado de ser o chefe de uma milícia junto com irmão, o vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho, preso em dezembro. Através de exames de confronto balístico, feito pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), os agentes acreditam que poderão solucionar cerca de 80 assassinatos cometidos na região desde 2000.

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Na noite de segunda-feira, 16 homens da 35ª DP e 12 da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) cercaram a mansão do deputado na rua Itatitara, em Campo Grande. Dentro da casa e nos cinco carros apreendidos, os agentes encontraram duas pistolas 40 com nove carregadores, duas pistolas 380 com dois carregadores, uma metralhadora Intratec, duas escopetas calibre 12, um fuzil 5.56 com dois carregadores e dois revólveres 38.

Havia ainda 138 projéteis de calibre 40, sete de pistola 45, 19 de revólver 38 e outras 74 munições para pistola 380. Uma das pistolas pertence a um policial civil que responde a investigação interna.

"Será um trabalho meticuloso, que demandará tempo. Mas vamos levantar tudo para saber, realmente, quantos homicídios foram cometidos por este grupo. Essas armas podem nos ajudar a solucioná-los", explicou o delegado Marcus Neves, titular da 35ª Delegacia de Polícia, que coordenou a ação.

Segundo ele, de 70 a 80 mortes podem ter ligação com a milícia. Já os números do Serviço Reservado do Regimento de Polícia Montada (RPMont), responsável pela área, apontam 98 crimes.

Preso em flagrante, Natalino foi autuado pelos crimes de porte ilegal, formação de quadrilha, favorecimento pessoal e tentativa de homicídio dos 26 policiais que participaram do cerco.

"Descobrimos que eles recebem entre R$ 300 e R$ 1,7 mil por semana. São policiais militares, civis, bombeiros, agentes penitenciários e militares. Até agora temos muitos vulgos. Vamos tentar identificar outras pessoas e conseguir a prisão deles", afirmou Neves.

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