Sipam: traficantes trocam aviões por barcos na Amazônia

22 de julho de 2008 • 07h46 • atualizado às 10h26
O Cindacta IV controla o tráfego aéreo na região da Amazônia
O Cindacta IV controla o tráfego aéreo na região da Amazônia
22 de julho de 2008
Hermano Freitas/Terra

Hermano Freitas
Direto de Manaus

Manaus


A fiscalização por radares, satélites e aviões do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) fez com que o tráfico de drogas na Amazônia brasileira migrasse dos pequenos aviões para os barcos. Com isso, a ação criminosa perdeu a agilidade e os suspeitos tornaram-se presas mais fáceis das autoridades militares em ações conjuntas com a Polícia Federal, de acordo com o Sipam. O brigadeiro-do-ar que comanda a central de radares Cindacta IV, Carlos Eurico Peclat, alerta que, apesar do bom resultado, a carência de aviões-radar ainda é grande.

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Segundo o capitão da Marinha Wagner Gonçalves, traficantes, em sua maioria vindos da fronteira amazônica, usam a balneabilidade dos rios da região para o contrabando de itens que vão da cocaína a tartarugas em extinção. A detecção, no entanto, é mais fácil e a quantidade transportada é menor do que no tempo em que o transporte era aéreo.

"Eles (criminosos) atravessam a fronteira já em barco, porque sabem que o radar agora detecta e a Aeronáutica aborda", diz Gonçalves.

Os aviões-radares complementam a ação dos radares fixos e dos satélites usados pelo Sipam para monitorar a selva amazônica e os 5.539 km de sua fronteira do Brasil com países como Colômbia - grande produtor e exportador de drogas.

Segundo o Sipam, o Brasil possui três modelos Embraer 145 dotados com sensor remoto que detalha espaços impenetráveis aos satélites em determinadas condições climáticas, como tempo nublado. "Gostaria de ter pelo menos uns 50", diz o Brigadeiro Peclat, que comanda um efetivo de 1589 homens em toda a rede do Cindacta IV.

De acordo com o General reservista do Exército Antonio Burgos, que serviu na Amazônia, o Brasil vive um período de ascensão como potência econômica e isso poderia fazer com que surjissem inimigos.

"O Brasil precisa entrar no rol dos grandes países e isso envolve se armar. O Brasil não tem condições de defesa e suas riquezas estão aí para quem quiser pegar", diz.

Redação Terra
 
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