Protógenes entrega relatório e diz que obedeceu Lula

18 de julho de 2008 • 21h58 • atualizado às 22h41

Hermano Freitas
Direto de São Paulo

São Paulo


O delegado Protógenes Queiroz disse nesta noite, ao sair da sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, que entregou a parte que está sob sua responsabilidade do inquérito policial que investiga o banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity, por "determinação do presidente". Ele leu um extenso agradecimento à equipe da Operação Satiagraha, além do juiz Fausto De Sanctis, mas não disse se vai abandonar ou não as investigações. Seguido pela imprensa, ele se recusou a dar outras declarações ou responder perguntas.

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"Cumprindo determinação do Presidente da República Federal do Brasil, excelentíssimo senhor Luiz Inácio Lula da Silva, e em obediência à ordem dos meus superiores, apresento nesta data a nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha, executada no dia 8 de julho de 2008, em especial no combate à corrupção. (...) Todo o poder emana do povo e em nome dele deve ser exercido", disse.

A Polícia Federal anunciou nesta semana o afastamento do delegado do comando da Operação Satiagraha. Segundo a instituição, a saída foi iniciativa do policial e divulgou audios que supostamente comprovariam isso. O presidente Lula e o ministro da Justiça, Tarso Genro, fizeram declarações públicas dizendo que o delegado deixou a linha de frente da operação por sua iniciativa. Queiroz diz que foi afastado pela cúpula da PF.

O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, afirmou nesta noite que ele e mais nove pessoas ligadas ao banco Opportunity foram indiciados pela PF por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Dantas deixou a sede da PF pouco antes das 20h.

Sobre o indiciamento por formação de quadrilha, Machado disse que é o "crime da moda", que sai em todos os jornais. "É uma espécie de artifício, acusatório conhecido, porque apimenta o noticiário", afirmou o advogado. Machado também justificou que os funcionários do Opportunity não podem ser enquadrados em gestão fraudulenta pois é um crime que não ocorre em uma administração "exitosa".

"A gestão fraudulenta, em geral, se dá diante de um insucesso comercial, como imaginar que existe gestão fraudulenta em uma administração exitosa, que fez com que a própria participação do banco fosse adquirida", afirmou Machado.

Redação Terra
 
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