Maria Ivone do Nascimento foi condenada por envenenar filhos |
Fernando Prandi
Direto de São Vicente
Brasil
» Defesa: mãe não queria que filhos saíssem
» Acusação: filhos não usavam drogas
» Acusada de envenenar filho é julgada
O resultado final do júri foi de quatro votos a três favoráveis à condenação. Ivone já cumpriu três anos e três meses. Se tiver bom comportamento, poderá ter a pena reduzida. A defesa irá recorrer da decisão.
Ivone passou os últimos três anos esperando julgamento presa em um distrito policial em uma cela de 50 cm por 2 m, uma vez que as outras presas não toleravam a sua permanência junto delas. Agora, ela será transferida para uma penitenciária, mas seguirá em celas para presas que sofrem riscos de agressão por parte de outras condenadas.
O crime ocorreu em abril de 2005, no Parque Continental, em São Vicente. Na época, os filhos de Ivone tinham 21 anos e 14 anos. Ambos foram levados ao hospital, mas o mais velho não resistiu ao envenenamento.
Ivone deu aos filhos miolo de pão com veneno e disse a eles que era remédio para vermes. Os jovens tomaram e foram dormir. Durante a madrugada, acordaram vomitando e com fortes dores. A irmã deles chamou o resgate.
Em depoimento, o pai do mais novo e padrasto do mais velho afirmou que os jovens tinham bom relacionamento com todos da família e disse desconhecer qualquer envolvimento deles com drogas. Porém, também falou que Ivone era uma boa mãe e, por isso, não sabe por que ela cometeu o crime.
O jovem que sobreviveu tem 17 anos hoje e seu paradeiro é desconhecido. Ouvido pela Justiça na época do crime, ele confirmou que foi a própria mãe que o envenenou, mas que a teria perdoado por isso.
A defesa, representada pelo advogado Moisés Rosa, tentou alegar que a condenada não queria cometer assassinato. Ainda segundo o advogado, ambos os jovens seriam envolvidos com drogas e sua cliente estava desesperada, sem saber como agir com a situação. Os exames feitos na condenada não apontaram problemas mentais.
O promotor Manoel Torralbo afirmou em sua tese que, em nenhum momento, foi provado que os jovens usavam drogas. "A acusada mudou várias vezes de versão. Porém, na primeira vez, disse que o mais novo estava roubando objetos em casa e que o mais velho não parava em casa e também não queria seguir os seus conselhos. É muito pouco para deduzir que eram drogados e sem condições de recuperação. Muito menos para cometer esse crime", disse.
Torralbo também contestou a versão da defesa de que a mãe queria apenas dar um susto nos filhos. "Ela disse em depoimento que preferia entregar os filhos para Deus do que para mundo. Isso mostra que sua intenção era de matá-los", disse.
O julgamento durou cerca de nove horas e Ivone passou a maior parte do tempo com a cabeça abaixada.
Redação Terra