Itália: presos brasileiros acusados de explorar travestis

10 de julho de 2008 • 20h42 • atualizado às 22h09

Assimina Vlahou

São Paulo


A polícia militar italiana prendeu quatro brasileiros nesta noite, em Roma, sob a acusação de lucrar com a prostituição de travestis e facilitar a entrada irregular de imigrantes no país. De acordo com a polícia, os brasileiros estariam irregularmente no país e fariam parte de uma quadrilha que lucrava trazendo travestis brasileiros para a Itália sem documentação legal, obrigando-os a se prostituir nas ruas de Roma.

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Na operação, chamada de Gold Night 3, também foram presos cinco italianos. Segundo a polícia, a quadrilha recrutaria travestis no Brasil, cobrando de cada um cerca de R$ 30 mil pela viagem e pela entrada na Itália.

"Eles vinham com a promessa de trabalhar em shows e espetáculos de teatro. Chegando aqui, no entanto, eram colocados nas ruas para se prostituir", disse o coronel Alessandro Casarsa, um dos responsáveis pela operação.

De acordo com a polícia, uma vez instalados em Roma, os travestis deveriam pagar cerca de R$ 750 por semana pela hospedagem em pequenos apartamentos, que dividiam com mais sete ou oito pessoas. Além disso, segundo a polícia, haveria ainda o pagamento de R$ 7,5 mil pelo ponto onde se prostituíam, em diversas regiões da capital italiana.

"Conseguimos descobrir como funcionava o esquema de cobrança pelo ponto depois de infiltrar alguns agentes se fingindo de travestis", afirmou o coronel Casarsa.

Casarsa disse que os travestis cobravam cerca de R$ 450 por encontro, chegando a manter até 20 relações por noite. Segundo o coronel, parte do dinheiro que ganhavam com a prostituição era mandada para familiares no Brasil.

Operação
A operação da polícia romana faz parte de uma ação mais ampla, que começou em 2006 e rendeu 31 detenções até agora. "A primeira fase foi em abril de 2007, e a segunda, em fevereiro deste ano. Controlamos em tudo cerca de 100 pessoas. Destas, 31 foram detidas. Do total, 80% são brasileiros", disse Casarsa.

De acordo com o coronel, as investigações continuam para obter mais informações sobre o esquema de imigração irregular e exploração da prostituição. "Queremos saber se há outras estruturas e quem fornecia remédios, porque há vários doentes de aids entre os envolvidos", afirmou Casarsa.

O coronel disse também que houve uma boa colaboração entre a polícia italiana e a brasileira, através da Interpol. "É nosso interesse e das autoridades brasileiras evitar que haja essa corrida ao ouro de pessoas, talvez desesperadas por motivos econômicos, que vêm para cá esperando fazer atividade teatral e acabam se prostituindo nas ruas", afirmou.

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