Família doará órgãos de menino baleado no Rio

07 de julho de 2008 • 18h05 • atualizado às 18h20
Paulo Roberto do Amaral (dir.), pai do menino João Roberto, chora em frente ao Hospital Copa D'or
Paulo Roberto do Amaral (dir.), pai do menino João Roberto, chora em frente ao Hospital Copa D'or
07 de julho de 2008
Fábio Motta/Agência Estado

Após a confirmação da morte cerebral de João Roberto Amorim, 3 anos, a família decidiu doar seus órgãos. Ele foi baleado na cabeça na noite de ontem, durante uma perseguição policial na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro.

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Segundo médicos do hospital Copa D'Or, o menino não possui as atividades cerebrais, mas continua ligado aos aparelhos para manter os órgãos funcionando. A equipe do Rio Transplantes analisará quais órgãos poderão ser doados e realizará a cirurgia.

O anúncio da confirmação da morte cerebral foi feito pelo médico Arnaldo Prata, chefe da pediatria do hospital. O procedimento de realizar dois exames é exigência prevista em lei.

Mais cedo, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu, em entrevista coletiva, que o episódio "demonstra uma falta de preparo e critério" dos policiais. Ele classificou a ação como desastrosa e pediu desculpas aos familiares da criança.

Beltrame desmentiu a versão dos dois policiais militares envolvidos de que o veículo em que estavam o garoto, o irmão e a mãe, teria cruzado uma perseguição envolvendo uma viatura e um carro com quatro bandidos. O secretário de Segurança confirmou a versão de testemunhas de que os policiais atiraram no carro da família por engano.

"O que houve foi exatamente a confusão. Essa explicação ela vai ser dada no inquérito. A tese dos policiais não é suficiente". Beltrame informou que os dois PMs estão presos administrativamente no 6º Batalhão (Tijuca), onde são lotados.

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