Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro
Brasil
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O menino João Roberto Amorim foi baleado na cabeça na noite de ontem, durante uma perseguição policial na rua General Espírito Santo Cardoso, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Segundo a assessoria do Hospital Copa D´or, outro exame será realizado para confirmar a causa da morte cerebral do menino. O procedimento é exigência prevista em lei.
De acordo com a Polícia Militar (PM), a perseguição policial começou na rua Uruguai, quando um carro do 6º Batalhão (Tijuca) teria cruzado com quatro bandidos armados em um carro Fiat Stilo. Ao entrar na rua Espírito Santo Cardoso, o carro onde o menino estava teria ficado no meio do tiroteio e foi atingido por pelo menos 15 tiros.
"Em nome da Secretaria de Segurança, do governo do Estado e da própria polícia, venho pedir minhas desculpas aos familiares desse jovem que perdeu a vida nessa infeliz ação desses policiais militares. De maneira nenhuma esse fato deve ser ligado à política de segurança pública. Esse fato deve ser ligado à falta de preparo e de critério na hora de agir", disse.
Beltrame desmentiu a versão dos dois policiais militares envolvidos de que o veículo em que estavam o garoto, o irmão e a mãe, teria cruzado uma perseguição envolvendo uma viatura e um carro com quatro bandidos. O secretário de Segurança confirmou a versão de testemunhas de que os policiais atiraram no carro da família por engano.
"O que houve foi exatamente a confusão. Essa explicação ela vai ser dada no inquérito. A tese dos policiais não é suficiente". Beltrame informou que os dois PMs estão presos administrativamente no 6º Batalhão (Tijuca), onde são lotados.
"Policiais não têm o direito de errar. Naquele momento, temos que ter um critério suficiente para saber se vamos atirar, se não vamos, se a abordagem será feita com veículo ou não", disse o secretário, que considerou que os policiais envolvidos no caso tiveram uma "falta de preparo psicológico e também operacional".
Segundo o secretário, o governo do Estado do Rio de Janeiro busca uma forma de melhorar o treinamento dos policiais em parceria com o Ministério da Justiça. Ele anunciou que vai inaugurar um telecentro de aperfeiçoamento e a universidade da polícia, mas os projetos são de longo prazo. "A mudança de cultura não acontece em um final de semana", disse.
Beltrame disse ainda que o período de treinamento de um concursado para se tornar PM atualmente é de oito meses, mas em um ano e meio se formaria um policial melhor. "Treinamento nunca é demais. Essa questão será revisada", disse.
Redação Terra