Financiadores e parentes são suplentes no Senado

06 de julho de 2008 • 17h39 • atualizado às 17h39

Laryssa Borges
Direto de Brasília

Distrito Federal


Dos atuais 19 suplentes que ocupam vaga no Senado, cinco deles foram financiadores diretos das campanhas de seus titulares. O que mais desembolsou recursos para doação foi o senador Wellington Salgado (PMDB-MG), que, com seus irmãos, doou R$ 1,377 milhão para a campanha do peemedebista Hélio Costa, segundo levantamento da ONG Transparência Brasil. Dono de uma rede de instituições de ensino em Minas, Salgado foi empossado senador em 2005, quando Costa assumiu o Ministério das Comunicações.

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Na segunda colocação de suplentes doadores aparece o usineiro João Tenório (PSDB-AL), que doou R$ 290 mil para a campanha de Teotônio Vilela (PSDB) à cadeira de senador por Alagoas. Teotônio deixou a vaga para o suplente em 2006, após sair vitorioso nas eleições pelo governo do Estado.

Vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o empresário Adelmir Santana (DEM-DF) foi responsável por R$ 110 mil para a campanha do empreiteiro Paulo Octavio (PFL-DF) ao Senado. Octavio se licenciou do cargo em 2006, quando foi eleito vice-governador do Distrito Federal.

O fazendeiro Gilberto Goellner (DEM-MT) contribuiu com R$ 64 mil para a campanha de Jonas Pinheiro (DEM-MT), morto em 2008, e Casildo Maldaner (PMDB-SC), com outros R$ 24,4 mil para Raimundo Colombo (DEM-SC), que nesta semana se licenciou para atuar como cabo eleitoral nas eleições municipais de outubro.

Além de doadores de campanha, suplentes são escolhidos também pelo grau de parentesco que têm com os senadores eleitos. João Tenório, que doou quase de R$ 300 mil para Teotônio Vilela, é cunhado do atual governador de Alagoas.

Antonio Carlos Junior (DEM-BA), por sua vez, assumiu a cadeira de senador em junho de 2007, após a morte de seu pai, Antonio Carlos Magalhães. Lobão Filho (DEM-MA) também foi alçado ao Senado a partir da indicação do senador Edison Lobão (PMDB-MA), seu pai, para a vaga de titular do Ministério de Minas e Energia.

¿Sistema terrível¿
"É um sistema terrível", avalia o cientista político da Universidade de Brasília, Leonardo Barreto. "Esse é um dos maiores problemas do sistema representativo do Brasil. Tem uma distorção grave daquilo que faz as urnas. Não há a vontade da população, mas um conjunto de pessoas sem qualquer legitimidade, sem lastro dos votos", comenta.

Segundo ele, a escolha de suplentes na formação das chapas durante as eleições virou uma verdadeira "negociata", seja para garantir financiamento para a disputa, seja para manter o eventual mandato no âmbito da família.

"Existe um problema muito sério. Essa questão do suplente virou uma negociata, de forma a preservar o mandato, por exemplo, no âmbito da família. O pano de fundo disso é o fato de não haver nenhum tipo de restrição para o senador que vai ocupar cargos no Executivo ou dispor de licenças", explica o cientista político.

Para ele, o Brasil pode adotar, no bojo da reforma política, regras como as que vigoram atualmente nos Estados Unidos, proibindo que os senadores deixem o cargo para disputar postos no Poder Executivo. "Ele perderia o mandato, e assumiria o suplente", disse. Hoje em dia, o senador apenas se licencia do mandato, podendo retomá-lo assim que deixar a outra função.

Outra opção, aponta Leonardo Barreto, seria nomear o segundo colocado nas eleições majoritárias. "Seria uma alternativa razoável porque você seguraria o senador ali ou teria um suplente com lastro, uma segunda opção escolhida pela sociedade. Seria lógico e contaria com aceitação da sociedade", diz.

Para o cientista político, haveria ainda a possibilidade de se realizarem eleições suplementares para preencher os cargos vagos, mas seria preciso estudar o custo de se fazer novos pleitos.

Redação Terra
 
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