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Atualizada às 17h54
Laryssa Borges
Direto de Brasília
» Financiadores e parentes assumem vagas
» AM, PA e DF têm mais suplentes
» Opine sobre suplentes do Senado
No PMDB, o empresário dono de universidades em Minas Gerais, Wellington Salgado, nunca havia exercido um cargo eletivo, mas ocupa uma cadeira no Senado desde 2005, quando o então titular Hélio Costa foi nomeado ministro das Comunicações. Salgado faz parte do grupo de Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente da Casa, que respondeu a seguidos processos por quebra de decoro parlamentar e pedidos de cassação, mas escapou de todos.
Os peemedebistas abriram vagas de suplente para o também empresário Lobão Filho (MA), que nunca havia exercido mandato, mas chegou ao posto a partir da vaga aberta por seu próprio pai. Edison Lobão deixou o Senado este ano para ser o titular do Ministério de Minas e Energia. O senador Geovani Borges (PMDB-AP), por sua vez, já foi suplente por duas vezes nesta mesma legislatura. Assumiu em 2006 e agora a vaga do próprio irmão, Gilvam Borges, afastado por licença médica.
Ainda pelo PMDB, é suplente o senador Neuto de Conto (SC), que assumiu o lugar de Leonel Pavan (eleito vice-governador em 2006). Mesmo sem votos populares, lançou-se pré-candidato à presidência do Senado no início do ano. O suplente sul-matogrossense Valter Pereira assumiu a vaga de senador em 2006 após a morte do titular, Ramez Tebet, naquele ano. Paulo Duque (PMDB) tornou-se o titular da vaga no Senado do atual governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, mesmo sendo o segundo suplente. O primeiro a ter direito ao posto, Régis Fichtner, assumiu a vaga mas deixou o Senado em fevereiro de 2007 para chefiar a Casa Civil do governo do Estado do Rio.
DEM, PTB e PSDB também têm alto índice de suplentes. Petebistas e tucanos têm 25% e 16,6% de senadores sem voto, respectivamente. Dois dos três suplentes do DEM assumiram o cargo após a morte de seus titulares. Sócio da Rede Bahia de Comunicação, Antonio Carlos Junior chegou ao Senado após a morte de seu pai, Antonio Carlos Magalhães, em 2007. Nunca havia assumido um cargo eletivo.
O fazendeiro Gilberto Goellner foi nomeado senador após a morte de Jonas Pinheiro, em 2008. Completando a bancada do DEM no Senado formada por suplentes está o ex-deputado distrital Gim Argello (PTB), que assumiu o cargo após a renúncia de Joaquim Roriz, que estava sob risco de cassação por quebra de decoro. O empresário Marco Antônio Costa tomou posse no Senado esta semana na vaga da senadora Kátia Abreu, que requereu licença do mandato até outubro para participar das campanhas municipais.
Dos oito senadores do PTB, dois também não chegaram ao posto por meio do voto popular. O empresário Adelmir Santana, vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), foi nomeado senador a partir da eleição de Paulo Octavio como vice-governador do Distrito Federal em 2006. Carlos Dunga (PTB-PB) assumiu no lugar de Cícero Lucena, afastado do posto por motivo de saúde.
Com as eleições de 2006, o PSDB também emplacou senadores sem votos: Flexa Ribeiro (PA), no lugar do petebista Duciomar Costa, eleito prefeito de Belém, e João Tenório (AL) em substituição a Teotônio Villela Filho, eleito governador.
PDT e PT têm um suplente cada. Jefferson Praia (PDT-AM) assumiu há pouco mais de um mês a vaga aberta após a morte do senador Jefferson Peres, enquanto João Pedro (PT-AM) ocupa o posto deixado pelo ex-prefeito de Manaus, Alfredo Nascimento, nomeado ministro dos Transportes em 2007. A nomeação de suplentes de senadores tem criado ainda uma situação inusitada. Partidos conhecidos como nanicos, por exemplo, conseguiram vagas no Senado apenas via suplentes. No caso do Psol, o ex-vereador José Nery chegou ao cargo com a eleição de Ana Júlia Carepa para o governo do Pará, em 2006. O Partido Socialista Cristão (PSC) conseguiu uma vaga com o líder evangélico Virgínio de Carvalho (SE), que, mesmo sem nunca ter ocupado cargo eletivo, assumiu o posto no lugar de Maria do Carmo, afastada para tratamento de saúde em 2008.
Com a proximidade das eleições municipais, senadores engrossaram a lista de licenciados para fazer campanha e ampliar o número de suplentes. Deixaram o cargo nos últimos dias os senadores Raimundo Colombo (DEM-SC) e Kátia Abreu (DEM-TO).
O próprio presidente do Senado, Garibaldi Alves, criticou na terça-feira o alto número de suplentes. Segundo ele, o grande o número de senadores sem votos pode ser motivo de "preocupação". "É uma preocupação que não deveria existir. É óbvio que o suplente vai dar uma colaboração muito menor do que se o titular tivesse no seu lugar", disse.
Na avaliação do cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), o excesso de suplentes acaba por enfraquecer também os partidos políticos, que formam quadros "sem legitimidade". "Os partidos acabam tendo representantes sem legitimidade. São senadores que têm dificuldades para se inserir no jogo político. São senadores cuja qualidade de trabalho cai", comenta. "Os partidos deveriam se preocupar com isso".
No Senado existem propostas para disciplinar a nomeação de suplentes. Uma delas, que aguarda inclusão da ordem do dia de votações, foi proposta pelo então senador Sibá Machado (PT-AC), suplente de Marina Silva enquanto ela ocupava o Ministério do Meio Ambiente. Pela proposta de Sibá, ficaria proibido ao suplente ter parentesco de até 2º grau com o titular do cargo, estaria garantido aos suplentes o direito de assumir o mandato em caso de cassação, renúncia ou morte do titular, mas seriam preenchidas as vagas remanescentes deixadas pelos senadores nas eleições gerais ou municipais, o pleito que estiver mais próximo da data da vacância do cargo.
Redação Terra
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