Jobim: Amazônia não pode ser coleção para estrangeiros

01 de julho de 2008 • 17h21 • atualizado às 17h52

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que a Amazônia "não pode ser uma coleção de árvores para lazer de estrangeiros". O ministro defendeu medidas de desenvolvimento sustentável para a região em vez de tratar a floresta como um santuário, como defendem ambientalistas estrangeiros.

» Jobim discute demarcação de reserva

"Não podemos tratar a Amazônia como os ambientalistas que têm agenda no exterior, na Alemanha, na Holanda, querem. Temos que pensar nos 21 milhões de brasileiros que vivem lá para não empurrá-los para a ilegalidade", afirmou o ministro, que participa de audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara.

O ministro disse ainda que a questão das terras indígenas não é o maior problema da Amazônia. Ele afirmou que o atual regime jurídico dessas terras é "absolutamente compatível" com a defesa da soberania nacional e acrescentou que não há nenhuma limitação legal para que atividades policiais e militares em defesa de território brasileiro sejam feitas em terras indígenas.

Ao comentar a expectativa sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) com relação às ações que contestam a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol (RR), o ministro afirmou que a discussão sobre a demarcação contínua ou descontínua não é legítima porque, segundo ele, o que deve ser levado em consideração para avaliar a legalidade da reserva é o cumprimento de requisitos constitucionais.

"Quando os senhores falam em terras contínuas ou descontínuas, isso é uma pseudodiscussão. A demarcação em ilhas ou blocos é uma pseudoquestão. Não é legítima. O que temos que saber é se uma área obedece ou não os requisitos determinados pela Constituição Federal".

A demarcação deve obedecer princípios constitucionais, entre eles, os da utilidade, necessidade e ocupação. Jobim disse esperar que o STF examine se a demarcação de Raposa Serra do Sol obedeceu esses critérios e também que a decisão do tribunal defina "de forma clara" o regime jurídico das terras indígenas e as regras básicas que toda terra tem que obedecer para que seja demarcada como tal.

Agência Brasil
 
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