As apreensões de armas de fogo em todo o território paulista caíram nos últimos cinco anos, talvez, em razão de uma queda natural ou pela publicação do Estatuto do Desarmamento, que entrou em vigor no dia 22 de dezembro de 2003. A lei ficou mais rígida e passou a punir com prisão quem porta qualquer tipo de arma sem autorização legal. Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) apontam para uma redução de 40,73%, de 2003 a 2007.
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Em 2003, por exemplo, as polícias Militar e Civil de São Paulo apreenderam 39.551 armas, uma média de 108,3 por dia. Quatro anos depois, após o estatuto e a entrega de cerca de 480 mil armas na campanha, esse quadro reduziu para 23.443 armas, ou 64,2 por dia. A Secretaria de Segurança, por meio da assessoria de imprensa, explica que "a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP) atribui esta queda à lei do desarmamento e ao fato de menos pessoas estarem andando armadas nas ruas."
Se comparados os anos de 1999 e 2007, a redução é de 43,60%. Levantamento feito com base nos índices criminais disponíveis de forma trimestral no site da SSP aponta que, em 1999, 41.562 armas tinham sido apreendidas no Estado. Um ano depois, em 2000, esse quadro caiu para 40.226 e, em 2001, voltou a obter redução, chegando a 39.844 armas apreendidas.
Em 2002, um ano antes da publicação do Estatuto do Desarmamento, as polícias tiraram das ruas 37.964 armas. Em 2003, foram as 39.551. Já em 2004, esse balanço continuou em queda, fechando o ano com 34.988 apreensões. Em 2005, segundo a SSP, 31.704 armas foram apreendidas contra 25.924, em 2006, e as 23.443 do ano passado.
Para o delegado Jesus Nazaré Romão, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), em Araraquara, é nítida a redução das apreensões de armas. "Diminuiu sim. É que a polícia já apreendeu tanta arma que tem pouca rodando, isto sem falar que muitas pessoas devolveram no começo da campanha", diz o delegado. "Muita gente tem seu revólver guardado em casa, mas o trânsito é que diminuiu."
Responsável pelo Núcleo de Estudos de Violência, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara, o sociólogo José dos Reis Santos Filho, não tinha conhecimento de dados estatísticos das apreensões, mas admite ter percebido a menor presença de armas de fogo nos noticiários e em casos de homicídios e tentativas de assassinatos registrados na região. "Não tenho um estudo apurado, mas, um levantamento informal, ainda que superficial, mostra uma presença significativa de outros instrumentos como facas, pedaços de pau nas mortes."
- Redação Terra


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