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Araraquara decreta luto oficial por morte de Ruth

25 de junho de 2008 15h46 atualizado às 16h29

A prefeitura de Araraquara, interior de São Paulo, decretou luto oficial de três dias após ter perdido uma de suas figuras mais ilustres: Ruth Correa Leite Cardoso, a ex-primeira-dama e antropóloga que nasceu na cidade em 19 de setembro de 1930.

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Ruth passou a infância em uma casa que ficava na rua São Bento, entre as avenidas Feijó e Espanha, no centro da cidade. Hoje, a área está completamente alterada e no antigo lar funciona uma agência bancária. Ela viveu até os 18 anos em Araraquara quando deixou os pais, o contador José Corrêa Leite e a professora Maria Villaça Corrêa Leite, a Mariquita, para se dedicar aos estudos.

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva, destacou que a cidade perdeu uma das suas figuras mais ilustres. "Dona Ruth foi um exemplo de intelectual. Uma professora, uma doutora que fez de suas pesquisas um instrumento para ação social, para a ação transformadora da sociedade brasileira", disse. O prefeito lembrou que a formação educacional da antropóloga foi nos colégios São Bento e Progresso, duas unidades tradicionais da cidade.

Apesar de ter deixado Araraquara ainda na adolescência, Ruth manteve vínculos com a cidade através de parentes e muitos amigos. "Ela era uma garota muito respeitosa e extremamente inteligente, tanto que até os professores tinham dificuldade de avaliá-la", relembrou a amiga Jacira Nogueira Dengui, 85 anos. Ruth deixou Araraquara para cursar faculdade de Filosofia, em São Paulo.

"Uma vez cheguei a comentar à Mariquita porque ela era tão severa com a educação da filha e ouvi a seguinte resposta: vou ensinar a ela antes que a vida a ensine", conta Jacira. A irmã dela, Edna Nogueira, 88 anos, também conviveu com Ruth nos tempos de Araraquara.

Edna fez questão de citar a educação, inteligência e principalmente a humildade da ex-primeira-dama do Brasil. Durante o período em que Ruth e Fernando Henrique Cardoso ficaram exilados no Chile, por conta da perseguição pelo regime militar, o que fez as filhas do casal morarem em Araraquara. "Elas freqüentavam as festinhas lá em casa", relembra Edna, que mantém fotos e entrevistas da amiga publicadas.

A prima e também professora Darci Dantas, ainda mora em Araraquara. "Ela era uma pessoa dedicada e que nunca parou de estudar. Encantava pela inteligência, simplicidade, altivez e brilhantismo", comentou. Na casa de sua mãe, a tia de Ruth, as duas filhas do casal, moraram enquanto Fernando Henrique e Ruth estavam exilados. Na infância, Darci tem na memória uma prima comunicativa e diferenciada. "Por isso, ela representava o máximo a que uma docente poderia chegar no Brasil."

Redação Terra