Pnud preocupada com a democracia na América Latina

21 de abril de 2004 • 13h07 • atualizado às 13h07

A democracia na América Latina enfrenta uma crise, segundo aponta o relatório "Democracia na América Latina", divulgado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). De acordo com os dados, em 2002 mais da metade dos cidadãos latino-americanos (54,7%), preferiria um "regime autoritário" a um regime democrático, se isso "sanasse" os problemas econômicos.

Para o representante do Pnud, embaixador Carlos Lopes, o resultado é um aviso de que a democracia tem um défict e que se não for aprofundado as pessoas começarão a não acreditar nela. Ele disse que a maioria das pessoas que tem essa opinião é analfabeta e excluída socialmente. Há também uma parte de jovens. ¿Na camada dos jovens pode-se dizer que não tem experiência de ditadura e, portanto, não tem um elemento de comparação¿, afirmou o diplomata.

Em mensagem de vídeo, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, considerou o resultado muito triste e errado. "A solução para os problemas da América Latina não está no retorno ao autoritarismo. Reside em uma democracia mais forte e enraizada", diz. Segundo ele, eleições regulares e livres são vitais, mas não são suficientes. "Somente quando todos se beneficiarem de seus direitos - políticos, civis e sociais - é que sentirão que a democracia é importante para eles", afirma Annan, ressaltando que a democracia pode ser fortalecida por meio da organização dos cidadãos e da expansão de seus direitos.

A pesquisa ouviu 19 mil latino-americanos e 231 líderes do continente sobre a situação da região, nos últimos 20 anos.

Agência Brasil
 
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