Notícias » Brasil » Brasil

 Menino agredido fraturou 2 costelas antes da morte
24 de junho de 2008 08h24 atualizado às 08h29

O menino Pedro Henrique Marques Rodrigues, morto há 11 dias em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, após quebrar em dois lugares o punho direito, também apresentava duas fraturas nas costelas do lado direito do corpo. Essa foi uma das constatações extraídas durante um exame de tomografia realizado a pedido da perícia e Instituto Médico Legal (IML).

» Veja mais fotos do enterro
» Veja o vídeo sobre as investigações
» Menino é enterrado pela 2ª vez
» vc repórter: mande fotos e notícias

"O exame foi feito pelo Departamento de Radiologia e Física Médica, da faculdade de Medicina da USP de Ribeirão", afirma o diretor do Núcleo de Perícias, José Eduardo Velludo, que acompanha o caso.

Os exames concluíram que existem fraturas antigas na oitava e nona costelas do lado direito. "Estamos tentando aproximar essa data, mas podemos afirmar que a fratura aconteceu de 15 a 20 dias antes de ele morrer", disse Velludo.

Pela tese da perícia, Pedro Henrique vinha apanhando e pode ter fraturado a costela e nem ter percebido. "Essas são fraturas subclínicas", diz o perito explicando que o menino pode ter sentido uma dor e, ao se poupar, acabou curando-se naturalmente.

"Ela (fratura) acaba sarando sozinha." Velludo não soube informar se a mãe o padrasto do menino tiveram conhecimento da lesão.

O perito afirma não ter iniciado o relatório do caso por ainda aguardar alguns laudos, entre eles, um dos mais importantes. Os médicos retiraram as vísceras do corpo do garoto para um novo exame. O material deve ser encaminhado para o IML, em São Paulo, só na quarta-feira. Além das fraturas, Pedro Henrique ainda apresentava lesões no rosto, braços, costas e nos lábios, além de marca de unha na orelha.

Para o perito, não foram encontrados sinais de queimaduras químicas na mucosa oral, na língua e no esôfago do menino. Essas marcas estariam visíveis, segundo ele, caso o garoto tivesse tomado o tira-manchas como alegam a mãe e o padrasto.

Velludo ainda confirma que Pedro Henrique morreu por embolia gordurosa ao quebrar o punho. A embolia gordurosa se caracteriza pela obstrução de pequenos vasos por gotículas de gordura, geralmente originadas nas fraturas do fêmur, tíbia e bacia, e pode afetar os pulmões e o cérebro.

Ontem, o corpo do menino foi enterrado pela segunda vez em Araraquara, onde mora o pai. A mãe o padrasto do garoto, suspeitos de envolvimento direto na morte, não apareceram. O pai, o policial militar Odair Donizete Rodrigues, acompanhou o enterro ao lado namorada e da sogra. Emocionado prometeu esclarecer a causa da morte do garoto, na qual chamava de "professor".

Na semana passada, a Polícia Civil alterou o registro criminal do caso por acreditar na participação da mãe de Pedrinho, Kátia Marques, e o marido dela, o representante comercial Juliano Gunelo no ocorrido. A prisão temporária do casal foi pedida por suspeita de assassinato e negada pela Justiça.

Para o advogado Luiz Carlos Bento, que representa o casal, Pedro Henrique pode ter quebrado o punho ao ser socorrido na ambulância ou no próprio hospital. A versão da defesa continua apontando para a ingestão do tira-manchas. Para Bento, a polícia está se precipitando.

Redação Terra