SP: menino agredido é enterrado pela 2ª vez

23 de junho de 2008 • 18h42 • atualizado às 19h24
Ao lado da sogra, PM se despede do filho Foto: Claudio Dias/Especial para Terra
Ao lado da sogra, PM se despede do filho
23 de junho de 2008
Foto: Claudio Dias/Especial para Terra

Cláudio Dias
Direto de Araraquara

São Paulo


O menino Pedro Henrique Rodrigues, 5 anos, que morreu em Ribeirão Preto no último dia 12, foi novamente enterrado no cemitério dos Lírios, em Araraquara (SP). A mãe o padrasto do garoto, suspeitos de envolvimento direto na morte, não apareceram. Segundo o casal, o menino teria morrido após a ingestão acidental de um tira-manchas. O laudo apontou, no entanto, que a morte foi causada após uma fratura, que provocou embolia pulmonar. O caso passou a ser tratado como homicídio.

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O pai do menino, o policial militar Odair Donizete Rodrigues, acompanhou o enterro ao lado namorada e da sogra. A cerimônia durou menos de dez minutos. O corpo de Pedro havia sido exumado há 11 dias.

O pai não suportou a tristeza ao ver novamente o caixão do filho. "Só queria te dizer um tchau ao meu filho", disse o pai, antes de liberar para o enterro. Sobre o fato do casal não ter comparecido ao sepultamento, o pai afirmou: "não tenho o que dizer, talvez, não deu para eles virem".

O policial disse que não teve mais nenhum tipo de contato com a mãe e o padrasto de Pedro. "A verdade a gente tem que aguardar mesmo e uma hora ela vai aparecer. Eu peço muito a Deus para que consiga ajudar a todo mundo nesta hora", afirma o pai. Ele citou que continua acompanhando o trabalho policial: "só temo que a morte do meu filho acabe em pizza".

Na semana passada, a delegada Maria Beatriz de Campos, da equipe de homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto alterou o registro criminal do caso por acreditar na participação da mãe de Pedrinho, Kátia Marques, e o marido dela, o representante comercial Juliano Gunelo no ocorrido. Segundo a delegada, eles estavam na casa no dia do acidente.

A Polícia Civil e a perícia afirmam que o menino era freqüentemente agredido em casa. As provas seriam hematomas com vários níveis de cicatrização encontrados no corpo do menino. O pai, por sua vez, disse desconhecer as agressões, mas admitiu ter notado algumas marcas roxas no corpo do garoto nos últimos quatro meses.

A delegada chegou a pedir a prisão temporária do casal, que foi negada pela Justiça. A decisão foi após um laudo mostrar que, ao contrário do afirmado pelo casal, o menino não morreu por tomar um produto tira-manchas. A morte foi consequência de embolia gordurosa, após quebrar o punho. O advogado Luiz Carlos Bento, que representa o casal acredita que ele possa ter quebrado o punho ao ser socorrido na ambulância ou no próprio hospital.

Para Bento, a polícia está se precipitando. Pedro Henrique morreu, segundo a mãe e o padrasto, ao tomar um tira-manchas que era guardado no armário da cozinha. Ele passou mal e não resistiu logo após ser socorrido. A polícia, por sua vez, acredita que o menino tenha sido agredido.

Redação Terra
 
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