SE: em rebelião, presos saqueiam alas

22 de junho de 2008 • 00h13 • atualizado às 07h52

Andréa Vaz
Direto de Aracaju

Brasil


Os detentos do presídio regional Senador Leite Neto, que fica no município de Nossa Senhora da Glória, no Sergipe, iniciaram uma rebelião, saquearam alas e impediram a entrada de 200 policiais militares neste sábado. As prisões do Estado enfrentam problemas desde a última quinta-feira, quando os agentes penitenciários entraram em greve.

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Os presos ainda quebraram computadores e cadeados, rasgaram documentos e saquearam a cozinha. Um preso saiu ferido e foi levado para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O nome do detento ainda não foi divulgado.

No presídio de Nossa Senhora da Glória encontram-se 290 detentos para uma capacidade de 108 presos, de acordo com Jorgivaldo Barbosa, representante do Sindicato dos Agentes Penitenciários nesse presídio. Segundo ele, os amotinados não aceitaram a presença dos PMs e a rebelião teve início na hora da abertura dos cubículos para eles saírem para o café da manhã.

Os amotinados se rebelaram quando souberam que as visitas estavam suspensas devido à greve que completou quatro dias.

"Os presos invadiram a administração, danificaram documentos, quebraram computadores, atearam fogo na cozinha, queimaram colchões e ameaçaram explodir botijões de gás e promover uma chacina, caso os policiais militares entrassem na área interna do presídio", disse Barbosa ao afirmar que a situação é gravíssima.

No Presídio Feminino, em Aracaju, as detentas também se rebelaram. Elas queimaram colchões e tentaram fugir pelo telhado. Para tentar conter a fuga, tiros foram disparados, mas ninguém saiu ferido, segundo a polícia. Do lado de fora do presídio, dava para ouvir os gritos das presas, avisando que 14 mulheres foram levadas para a "tranca" (espécie de solitária) e uma delas estava ferida.

A direção do Presídio Feminino não confirmou a informação nem divulgou o número de mulheres trancadas. Do lado de fora, o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários, Cláudio Viana, lamentava a situação e admitiu que a greve saiu de controle. "Os agentes estão revoltados com a falta de diálogo do governo. Só quem pode acabar com a greve é o governador Marcelo Déda. Essa greve é contra a fome", disse Viana.

O desembargador-corregedor Luiz Mendonça diz estar preocupado com a situação, principalmente com a atitude do Sindicato da categoria que não está mantendo os 30% de servidores em serviço como determina a legislação.

Redação Terra
 
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