Pedofilia: MP pede para STF investigar deputado

20 de junho de 2008 • 19h24 • atualizado às 19h49

Cyneida Correia
Direto de Boa Vista

Brasil


O Ministério Público de Roraima (MPE) informou que o deputado federal Luciano Castro, líder da bancada do PR na Câmara dos Deputados, foi citado por uma suposta vítima como cliente da rede de pedofilia que começou a ser desarticulada no dia 6 de junho pela Polícia Federal, durante a Operação Arcanjo. Os promotores solicitaram à Justiça que envie cópia do inquérito que investiga a rede de prostituição infantil ao Supremo Tribunal Federal, visto que o parlamentar tem foro privilegiado.

» Vítima de suspeitos está grávida
» Procurador suspeito é exonerado
» MP nega represália em prisão
» Preso procurador acusado de pedofilia

Questionada sobre o assunto, a assessoria do deputado Luciano Castro disse que ele está em reunião e que posteriormente ligaria para comentar a investigação.

Os promotores de Justiça José Rocha Neto e Luís Antônio informaram que o nome do deputado, que é pré-candidato a prefeito de Boa Vista em Roraima, foi citado por uma adolescente de 13 anos, que seria vítima do esquema.

Segundo os promotores, a menina contou em depoimento que Luciano Castro teria pago R$ 500 pelo programa sexual. A adolescente não está mais em Roraima e foi incluida pela Polícia Federal para o programa de Proteção a Testemunhas.

Ameaças
O Ministério Público investiga também o depoimento de mulheres que integram um movimento contra a pedofilia e que teriam sido ameaçadas de morte. Segundo as denúncias, em um caso, um homem não identificado teria telefonado para uma das mulheres. O número do celular estaria programado como "privado". O marido da vítima teria atendido a ligação e o homem falado para que a mulher "parasse o movimento, caso contrário poderia ocorrer alguns prejuízos".

Em outra situação, a vítima estaria dirigindo seu veículo e, ao parar no semáforo, teria sido abordada por um motociclista. A moto estaria sem placa e o condutor usaria capacete escuro, para dificultar a identificação. "O homem colocou a mão na cintura por dentro da blusa e fez um gesto mandando-a que ficasse de boca calada", diz o depoimento.

As supostas vítimas foram atendidas pelo promotor de Justiça José Rocha Neto, titular da 2ª Vara Criminal. Após colher termo de declaração das mulheres, ele afirmou que irá instaurar procedimento investigatório para apurar o fato.

Apesar da intimidação, o grupo anunciou que mantém a campanha, que consiste na pichação de carros com a inscrição "mães contra a pedofilia", além de uma carreata que está sendo realizada nesta sexta-feira.

Histórico
No dia 6 de junho, a Operação Arcanjo desencadeada pela Polícia Federal prendeu o ex-procurador-geral do Estado, Luciano Alves de Queiroz, o major da Polícia Militar Raimundo Ferreira Gomes - apontado como um dos agenciadores -, a dona de casa Lidiane do Nascimento Foo e seu marido, o tapeceiro Givanildo dos Santos Castro. O casal também é apontado como agenciador - ela seria a líder da quadrilha.

Também foram presos o empresário Jackson Ferreira do Nascimento, o funcionário do Tribunal Regional Eleitoral Hebron Silva Vilhena e os irmãos empresários José Queiroz da Silva e Valdivino Queiroz da Silva.

Os suspeitos foram acusados de estupro, atentado violento ao pudor, formação de quadrilha, corrupção de menores, submissão de menores e adolescentes à prostituição. Além desses crimes, Lidiane e Givanildo também foram presos por tráfico de drogas. Todos foram indiciados pela Polícia Federal.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »