PF: lei evitou prisão de deputados em operação

20 de junho de 2008 • 15h59 • atualizado às 17h59

Marina Mello
Direto de Brasília

Brasil


O superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, David Salém, explicou que não houve pedido de prisão de parlamentares na Operação João de Barro, que investiga desvios de recursos de verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), porque a legislação brasileira é bastante rígida nesse sentido.

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Segundo a PF, suspeita-se que a quadrilha tenha movimentado cerca de R$ 2,7 bilhões nos últimos meses. Ao todo foram expedidos 38 mandados de prisão e 231 de busca em apreensão em sete Estados e no Distrito Federal. A apuração dos policiais indica que a quadrilha desviava os recursos e empregava material de baixa qualidade, além de promover a distorção dos padrões previstos originalmente nas obras.

"Não houve pedido de prisão de parlamentar por questão de ordem técnica, porque esse tipo de prisão só é admitida em caso de flagrante inafiançável", afirmou.

O superintendente sinalizou que pelo menos dois deputados podem ser indiciados pela PF e denunciados pela Procuradoria Geral da República na segunda etapa da operação, deflagrada hoje em sete Estados, em especial em Minas Gerais. Os deputados podem responder por corrupção, concussão (crime praticado por funcionário público) e tráfico de influência.

Segundo ele, nos mais de 200 mandados de busca e apreensão cumpridos, a PF busca pistas para daqui a pouco tempo iniciar a parte penal da operação. Ele ressaltou que dois destes mandados de busca foram cumpridos hoje no gabinete dos deputados João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG).

"Estamos investigando essa situação, tanto é que foram realizadas buscas em gabinete de dois parlamentares. Para isso que serve a busca: para podermos amanhã de forma mais firme, numa segunda etapa, dar início à parte penal", explicou.

A PF também pretende dar continuidade ao suposto envolvimento de prefeitos no esquema. Segundo Salém, os nomes já foram encaminhados para o Supremo Tribunal Federal. Ele explicou que o STF remeteu os nomes ao Tribunal Regional Federal de cada município, mas que, também na segunda etapa da operação, os prefeitos supostamente envolvidos poderão ser penalizados.

Procurados pelo Terra até as 17h55, os dois deputados não foram localizados.

Redação Terra
 
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