Rio: Exército pede desculpas a famílias de jovens

17 de junho de 2008 • 15h39 • atualizado às 20h15

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro


Operários do projeto Cimento Social, desenvolvido por engenheiros do Exército do morro da Providência, retomaram as atividades após uma reunião com o general Mauro Cesar Cid, comandante das equipes que garantem a segurança dos engenheiros na favela. Ele pediu desculpas formais às mães dos três jovens que teriam sido seqüestrados por 11 militares e entregues a traficantes do morro da Mineira, no Catumbi, zona norte do Rio de Janeiro.

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Os trabalhadores haviam suspendido as atividades depois que os rapazes foram encontrados mortos no aterro sanitário de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no domingo.

Agora, eles devem concluir obras inacabadas até a próxima quinta-feira, quando o Exército deve se posicionar sobre a saída ou não das tropas da favela. Os militares ocupam a Providência desde 2007.

Após a reunião com representantes do Exército, dirigentes da associação de moradores informaram que somente as casas em fase final de obras serão terminadas cerca de 20 de um total de 780.

Segundo a presidente da associação, Vera Melo, a finalização das fachadas e telhados de casas na Providência está prevista para quinta-feira. Implementado pelo Exército e financiado pelo governo federal, o Cimento Social tem a finalidade de reformar telhados e fachadas de moradias populares na Providência.

"O Exército tem até quinta-feira para nos dar uma reposta. Ele (general Mauro César Lorena Cid) me pediu para ir a Brasília levar o problema", disse Vera. "Vamos terminar as casas, que estão sem telhado, com plástico preto, porque, com a chuva, os móveis podem se estragar. Faremos os telhados e vamos parar."

De acordo com Vera, a favela quer a saída imediata das tropas do Exército e a instalação de uma ouvidoria para receber denúncias de "arbitrariedades" cometidas pelos militares. "Eles usam spray de pimenta, chamam as meninas de tudo quanto é nome", contou a presidente da associação de moradores.

A Defensoria Pública da União entrará com uma ação civil pública até esta quinta-feira para pedir a retirada das tropas do Exército do morro da Providência.

De acordo com o defensor titular de ofícios de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, André Ordacgy, a Constituição não prevê a atuação de uma força armada para prestar segurança pública para um projeto governamental. A Defensoria ofereceu também auxílio jurídico às famílias dos três jovens mortos.

Com informações da Agência Brasil

Redação Terra
 
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