vc repórter: Piracicaba prepara a Festa da Polenta

13 de junho de 2008 • 22h18 • atualizado às 22h18
O bairro Santa Olímpia é uma região de Piracicaba que tem imigrantes italianos Foto: Kelly Karine Nicoletti Müller/vc repórter
O bairro Santa Olímpia é uma região de Piracicaba que tem imigrantes italianos
13 de junho de 2008
Foto: Kelly Karine Nicoletti Müller/vc repórter

O bairro Santa Olímpia, um dos mais tradicionais de Piracicaba (SP), se prepara para a tradicional Festa da Polenta, realizada sempre no último final de semana de julho. A região é um pequeno pedaço Itália no Brasil, mais especificamente dos descendentes de Trentino, fundada por imigrantes tiroleses no final do século XIX. O bairro mantém viva a memória e as tradições dos pioneiros por meio do folclore, da gastronomia, das festas típicas e do modo de viver e falar de seus moradores.

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A primeira impressão de alguém que chega em Santa Olímpia é a de ter encontrado em meio ao verde da paisagem uma pequena aldeia de montanha: uma igreja central, rodeada por uma ampla e tranqüila praça, enfeitada com flores e árvores; logo ao lado é possível ver as pequenas e estreitas ruas, como aquelas das aldeias européias, com janelas e portas que dão diretamente para a rua.

O povo local vive de maneira simples e a religiosidade é uma das características mais marcantes. O "escadão" ao lado da igreja é uma antiga tradição arquitetônica, uma das poucas escadarias para as procissões da vias sacras ainda existentes no mundo. Construído em 1945, a grande escadaria possui 90 degraus, divididos em 15 lances de escada, um para cada estação da Via Sacra.

Festa da Polenta
Todos os anos, Santa Olímpia promove a tradicional Festa da Polenta, que comemora a imigração trentina para a cidade de Piracicaba. Iniciada em 1992 para festejar o centenário da imigração trentina à Piracicaba, a festa foi repetida em 1993 e somente em 1999 teve sua terceira edição, na comemoração do novo salão paroquial. Desde então, o evento é anual, com apoio da prefeitura.

Além de visitar a festa, é possível conhecer mais sobre a história de Santa Olímpia no Centro Histórico-Cultural. Também são realizados a eleição e o desfile da rainha e embaixatriz da Festa da Polenta.

A festa reúne cerca de 15 mil pessoas e conta com várias apresentações de corais e danças folclóricas e especialidades gastronômicas, como a polenta con crauti (polenta acompanhada de chucrute, speck e lingüiça).

Também são encontrados outros pratos tradicionais da cozinha trentina/tirolesa, como canederle ou knödel (nhoques de pão com lingüiça e especiarias, servidos em uma sopa de frango), a polenta con cuccagna (fritada de ovos com tomates, lingüiça, bacon e queijo), o strangola pretti (nhoques verdes), polenta frita, salsichão e os gròstoi (pasteiszinhos doces). Todas as especialidades podem ser acompanhadas por cerveja, mas os destaques vão para os vinhos tintos, vinho de laranja e a grappa (destilado da casca da uva), todos de fabricação local.

Além disso, no porão da casa sede, é montada uma aconchegante cafeteria trentina na qual são servidos vários tipos de bebidas quentes, como cappuccino, chocolate quente e café expresso além de alguns tipos de chás. Para acompanhar as bebidas, as moradoras do bairro preparam pães e bolos caseiros. Cada ano, um grupo musical encanta os visitantes da cafeteria tornando o ambiente muito mais agradável.

História da região
Os imigrantes trentinos que chegaram em Santa Olímpia vieram fugidos da constante crise que assolava a Europa no final do século XIX, assim como a escassez de trabalho, muitas famílias decidiram deixar suas terras e se arriscarem no novo mundo, na esperança de poder encontrar melhores condições sociais.

No período do Império Austro-Húngaro, a região do Tirol, de onde são originários os emigrantes trentinos, era formado por duas províncias: Tirol do Norte e Tirol do Sul. O Trentino estava sob domínio austríaco quando o Império Brasileiro fazia propagandas para o recrutamento de imigrantes, visando substituir o contingente de mão-de-obra outrora escrava. A difícil situação política e social fez com que muitas famílias tirolesas emigrassem, com o sonho de "fazer a América". O Brasil instalou seus emigrantes nas regiões Sudeste e Sul principalmente, e essas famílias seguiam rumo ao campo, para trabalhar nas lavouras de café.

O bairro Santa Olímpia
O bairro Santa Olímpia inicialmente era uma fazenda onde os imigrantes trabalharam em regime de parceria. Eles a compraram em 1892 e lá cultivaram o café, no início. Depois com a crise, na década de 1920, teve início o cultivo de algodão e posteriormente o de cana de açúcar.

Em menor escala, eram cultivados o arroz, milho, feijão e hortaliças, além da criação de animais. Os núcleos familiares produziam o açúcar e o vinho próprios. O cultivo da cana de açúcar ainda é mantido por algumas famílias locais. A distância entre o bairro e o centro urbano de Piracicaba contribuiu para a manutenção de certos hábitos locais, hoje mantidos muito mais pelo sentido de preservação do que prático.

A internauta Kelly Karine Nicoletti Müller, de Capivari (SP), participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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