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RS: Psol e PV pedem impeachment de governadora

10 de junho de 2008 17h29 atualizado às 22h17

A executiva do Psol no Rio Grande do Sul protocolou na Assembléia Legislativa do Estado um pedido de impeachment da governadora Yeda Crusius. O documento também foi assinado Partido Verde (PV). De acordo com a deputada federal Luciana Genro (Psol-RS), o pedido foi motivado principalmente pelo fato de a governadora não ter negado afirmações do ex-chefe da Casa Civil sobre o financiamento de partidos políticos por órgãos do governo.

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"A governadora veio a público exclusivamente para condenar o seu vice-governador, que revelou as gravações, mas em nenhum momento ela chegou a afirmar que o seu chefe da Casa Civil estaria mentindo quando afirmou que os partidos se financiam dentro das estatais do governo do Estado", disse.

Para o líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Márcio Biolchi (PMDB), não há elementos suficientes para o impeachment da governadora. "Não existe nenhum fundamento que possa levar ao impedimento de um nome que foi escolhido de forma democrática pelas urnas aqui no Rio Grandeo do Sul", disse.

Segundo ele, o governo está tomando todas as providências para avaliar possíveis irregularidades. "As obrigações que o Estado tem na apuração de fatos que porventura sejam cometidos e que contenham alguma irregularidade estão sendo tomadas. Esse é o principal argumento da defesa, e não o fato de não ter dito alguma coisa que a oposição gostaria de ter ouvido", disse.

A crise no governo do Rio Grande do Sul iniciou no final do ano passado, com a Operação Rodin, da Polícia Federal, que desmembrou um esquema de desvios de recursos no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). As conversas interceptadas apontaram o envolvimento de membros do governo estadual.

Na última semana, a situação se agravou quando o vice-governador, Paulo Feijó, divulgou na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o Detran a gravação de uma conversa na qual o então chefe da Casa Civil, Cézar Busatto, admite que órgãos da administração do Estado financiam partidos políticos.

Para tentar resolver a crise, o governo do Estado anunciou ontem a criação de um gabinete de transição que irá promover mudanças na nominata do governo. O grupo será formado por representantes dos partidos políticos que compõem o governo (PSDB, PMDB, PP, PPS e PTB) e terá o objetivo de reestruturar a administração pública.

O gabinete de transição vai elaborar uma carta de compromisso do governo com os gaúchos, garantindo a continuidade da prestação dos serviços públicos com qualidade. Ao anunciar as mudanças, Yeda Crusius disse que vai pedir ao Ministério Publico Estadual prioridade absoluta para a análise das denúncias relacionada aos órgãos da administração do Estado.

Em seu pronunciamento em cadeia de rádio e televisão, no último sábado, Yeda afirmou que as mudanças propostas pelo seu governo afetam antigos interesses. "Garanto que o desenvolvimento do nosso Estado não será interrompido por ataques desleais que tentam desqualificar o trabalho responsável que fazemos", disse.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que a situação no Estado não é caso para intervenção federal, pois as instituições estão funcionando normalmente. "Não há nenhum tipo de violação constitucional, tudo está funcionando de maneira adequada", afirmou.

Agência Brasil