inclusão de arquivo javascript

 
 

RS: vice diz que pode divulgar novas gravações

09 de junho de 2008 19h02 atualizado às 19h45

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Afonso Feijó, foi questionado, em entrevista, se há outras gravações que poderão ser apresentadas e respondeu: "no devido tempo". Feijó gravou uma conversa com o ex-secretário da Casa Civil Cézar Busatto no Palacinho, onde fica o gabinete do vice-governador, no dia 26 de maio. Na conversa gravada por Feijó, Busatto disse que o PP se beneficiaria de financiamentos ilegais no Detran e o PMDB, no Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul).

» Vídeo: Yeda aceita demissão de 4
» DEM-RS: gravação é divisor de águas
» Exonerado diretor de obras do DAER
» Opine sobre as denúncias de fraude

O chefe da Casa Civil o teria procurado para negociar uma aproximação do vice com o governo. Na última sexta-feira, a gravação foi entregue à CPI do Detran, da Assembléia do Estado. Segundo Onyx, Feijó fez a gravação após orientação de advogados.

"Eu gravei da forma que gravei porque eu sabia que ele vinha com essa proposta. Não foi a primeira e não seria a última tentativa do Busatto. Ele sempre foi assim. Nunca confiei nele", afirmou Feijó.

O vice-governador disse que foi procurado por Busatto em mais uma tentativa de o calar. "Esse mesmo senhor já tinha me feito outras propostas, sempre tentando trocar cargos. Ético ou não. Eu a fiz (gravação) para me proteger em mais uma tentativa de cooptação. Não posso aceitar práticas mafiosas dentro do governo."

O vice-governador afirmou que costuma gravar algumas conversas que tem com membros do governo. "Algumas sim. E gravo aquilo que entendo que é de interesse do governo e quando se fala de governo. Ou quando estou falando com alguém do próprio governo. Fora disso, absolutamente, não."

Feijó afirmou que Busatto não foi o único integrante do governo que o procurou. "O Busatto não foi o único. O (Luiz Fernando) Záchia quando também secretário da Casa Civil sempre me procurou na busca de dialogar e entender de que forma poderia eu e o meu partido estar mais próxima do governo. E sempre sinalizando com cargos, com alguma secretaria ou com algum tipo de troca nesse sentido. Nós sempre fomos muito claros (...). a nossa postura sempre foi: O DEM não está atrás de cargos. O DEM não está atrás de secretarias. O DEM colabora com o governo."

O presidente do Democratas (DEM) do Rio Grande do Sul e membro da executiva nacional, Onyx Lorenzoni (RS), que se reuniu com Feijó, afirmou que o vice-governador "tomou a atitude em defesa do governo do qual faz parte e da própria governadora (Yeda Crusius-PSDB)". Segundo Onyx, a divulgação da gravação estabeleceu um divisor de águas na política gaúcha. "A única coisa boa disso é que se estabeleceu o divisor de águas - o velho jeito de fazer política (distribuição de cargos a partidos) e agora vai haver um novo jeito de fazer política." Feijó disse que Onyx tinha conhecimento da gravação desde o dia que foi feita até a divulgação.

Hoje, na CPI do Detran, Cézar Busatto afirmou que Feijó divulgou a gravação de uma conversa entre os dois para tentar criar impedições políticas para a governadora Yeda Crusius (PSDB). Ele chamou a ação de "manobra torpe e vil".

Racha no DEM
Feijó diz que não tem medo de racha no partido. "Absolutamente. O Onyx já se manifestou fora do Rio grande do Sul. Ele relatará fora do Estado o que está acontecendo."

Onyx cancelou agenda desta terça-feira em Porto Alegre e irá para Brasília. "Vou levar documentos para Brasília e conversar com cada um individualmente e fazer os esclarecimentos. Vou mostrar o cenário e o conteúdo (da gravação) do que foi revelado."

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), membro da executiva nacional do partido, disse que irá pedir a expulsão de Feijó da legenda. "O Heráclito não conhece o vice, nunca falou com ele. Ele está falando em tese, no fato, porque estamos sendo grampeados diariamente. Ele pode até ficar com conceito de que é errado gravar e querer dar uma advertência", afirmou Onyx.

Redação Terra