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DEM-RS: gravação de vice é divisor de águas

09 de junho de 2008 14h35

O presidente do Democratas (DEM) do Rio Grande do Sul e membro da Executiva Nacional, Onyx Lorenzoni (RS), se reuniu com o vice-governador do Estado, Paulo Feijó (DEM), e disse que ele "tomou a atitude em defesa do governo do qual faz parte e da própria governadora (Yeda Crusius-PSDB)". Segundo Onyx, a divulgação da gravação estabeleceu um divisor de águas na política gaúcha. "A única coisa boa disso é que se estabeleceu o divisor de águas - o velho jeito de fazer política (distribuição de cargos a partidos) e agora vai haver um novo jeito de fazer política."

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"Ele (Feijó) é um cidadão que veio da iniciativa privada para tentar fazer com que a política seja diferente. As famílias no Rio Grande do Sul estão apoiando a atitude dele. O que era melhor? Calar ou revelar? A atitude foi corajosa e teve como efeito preservar o governo do qual ele faz parte. No futuro, essa pessoa (Cézar Busatto (PPS), ex-secretário da Casa Civil) poderia trazer prejuízos ainda mais graves."

Na sexta-feira, após a divulgação da gravação, Busatto afirmou, em entrevista, que "o loteamento de cargos faz parte da cultura política brasileira e só pode ser mudado com uma reforma política".

"O vice-governador tomou uma atitude que é difícil de ser entendida e compreendida pelo mundo político, sem conhecer todas as circunstâncias. Ele sabe disso, mas, como cidadão, como governante, tomou atitude em defesa do governo que faz parte. A posição do ex-secretário (Busatto) não tinha práticas adequadas. Num primeiro momento, pode parecer que ele (Feijó) estava tentando prejudicar, mas foi uma atitude de proteção ao governo e à própria governadora", disse Onyx.

Feijó gravou uma conversa com o ex-secretário da Casa Civil Cézar Busatto no Palacinho, onde fica o gabinete do vice-governador. O chefe da Casa Civil o teria procurado para negociar uma aproximação do vice com o governo. Na última sexta-feira, a gravação foi entregue à Polícia Federal, ao Ministério Público e à CPI do Detran, da Assembléia do Estado. Segundo Onyx, Feijó fez a gravação após orientação de advogados.

"Depois de três tentativas similares do chefe da Casa Civil de tentar calá-lo sobre determinados pontos que ele defende, foi uma tentativa de proteção. (A gravação) foi dentro de um prédio do Rio Grande do Sul, patrimônio público, e conversando com um subordinado. Tinha legitimidade para fazer."

Onyx disse que em nenhum momento Feijó tentou prejudicar a governadora e o governo. "Tanto é verdade que houve a demissão do secretário. Se ele foi demitido, o conteúdo era suficiente para justificar essa medida."

Onyx cancelou agenda desta terça-feira em Porto Alegre e irá para Brasília. "Vou levar documentos para Brasília e conversar com cada um individualmente e fazer os esclarecimentos. Vou mostar o cenário e o conteúdo (da gravação) do que foi revelado."

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), membro da executiva nacional do partido, disse que irá pedir a expulsão de Feijó do partido. "O Heráclito não conhece o vice, nunca falou com ele. Ele está falando em tese, no fato, porque estamos sendo grampeados diariamente. Ele pode até ficar com conceito de que é errado gravar e querer dar uma advertência", afirmou Onyx.

Redação Terra