inclusão de arquivo javascript

 
 

RS: governadora demite 4 auxiliares após denúncia

07 de junho de 2008 16h40 atualizado em 08 de junho de 2008 às 07h37

A governadora do Rio Grande do Sul concede entrevista. Foto: Jefferson Bernardes/Palácio Piratini/Divulgação

A governadora do Rio Grande do Sul concede entrevista
Foto: Jefferson Bernardes/Palácio Piratini/Divulgação

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, anunciou em entrevista coletiva na tarde de sábado que aceitou os pedidos de exoneração do chefe da Casa Civil, Cézar Busatto e do secretário-geral de governo, Delson Martini. Também deixarão os cargos o chefe da representação do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante, e o comandante da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno.

» Veja fotos da entrevista com Yeda
» Presidente de CPI: governo sangra RS
» PMDB repudia acusações de Busatto
» Opine sobre as denúncias de fraude

Na entrevista, Yeda defendeu Cézar Busatto. Na sexta-feira, o vice-governador Paulo Feijó entregou um CD com a gravação de uma conversa entre ele e Busatto sobre a existência de uma quadrilha no Banrisul e no Detran desde 2003. No diálogo, o chefe da Casa Civil teria dito que o PP se beneficiaria no Detran e o PMDB, de financiamentos ilegais no Banrisul. "Tudo o que ele fez na vida não se apaga com uma gravação", disse a governadora.

Ela criticou o vice-governador ao afirmar que gravar a conversa com Busatto foi um "teatro" armado. "Eu conheço o trabalho do nosso coordenador, o Cézar Busatto. Ele sempre propôs o financiamento público de campanha e se dispôs a vir ao governo no segundo ano. (...) Busatto veio fascinado com essa forma nova de governar, de querer deixar tudo mais transparente", afirmou.

O chefe da Casa Civil do Estado afirmou na sexta-feira que foi "vítima de uma armadilha safada" e chamou o vice-governador Paulo Feijó de "mau-caráter e golpista".

A gravação foi feita no Palacinho, onde fica o gabinete do vice-governador. O chefe da Casa Civil teria procurado Feijó para negociar uma aproximação do vice com o governo.

Confira um trecho da conversa gravada por Feijó e divulgada pela CPI do Detran:

Busatto - Que possibilidade existiria de nós construirmos uma alternativa de entendimento, não no entendimento no sentido (...) porque tem tanta coisa pendente porque tem um passivo que não resolve numa mais, né, mas eu pergunto para evitar uma ruptura definitiva (...) se tivesse essa possibilidade, que condições tu exigiria para isso?

Feijó - Eu já disse desde o início: não tem condição nenhuma. Eu só quero, como vice-governador, poder participar das decisões do governo. Não quero cargo, não quero secretaria, então ah, eu demonstro que não tenho interesse. Eu não tenho interesse por cargo, por nomeação nem por secretaria nem por nada, mas eu quero participar, poder não, mas eu gostaria, como vice-governador, sentar numa mesa e discutir como a gente discute, ah, tomar a decisão em conjunto? É essa decisão. Agora eu quero entender o seguinte: por que encobrir o Detran, se sabia que antes de eu entrar na política nós já sabíamos que havia esse esquema no Detran. To mundo sabia. Era público. Por que não querer mudar? Desde 2003 eu sei que existe uma quadrilha no Banrisul, por que não querer mudar?

Pronunciamento
Um pronunciamento de Yeda Crusius foi divulgado por rádios e TVs do Rio Grande do Sul na noite de sábado. Ela falou sobre medidas adotadas pelo governo para sanar dívidas públicas, investimentos e encerrou afirmando que garante "que o desenvolvimento do Estado não será interrompido por ataques desleais".

Carta
Na entrevista, a governadora também elogiou o chefe da representação do Estado em Brasília, Marcelo Cavalcante. Ele recebeu uma carta do lobista e ex-militante do PSDB Lair Ferst que o informava da existência do esquema. Ele não informou Yeda sobre o documento. "O que ele (Marcelo) fez foi aquilo que, do seu modo de encarar a carta, era aquilo que devia ser feito. Ele não quis me perturbar com o que não tinha fundamento de verdade", disse.

Ferst foi indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público Federal. Ele foi apontado pela PF como um dos operadores do desvio de R$ 44 milhões dos cofres públicos envolvendo o Detran-RS.

CPI
A CPI do Detran-RS tem como objetivo investigar as fraudes no sistema de obtenção e renovação de carteiras de motoristas no Estado. De acordo com a Operação Rodin, da Polícia Federal, o grupo teria desviado R$ 44 milhões dos cofres públicos.

A CPI que investiga as fraudes no Detran do Rio Grande do Sul recebeu 34 gravações de ligações telefônicas interceptadas pela Operação Rodin da Polícia Federal. Em uma delas, o secretário-geral da governadora Yeda Crusius, Delson Luiz Martini, é citado. Em outras, aparecem os nomes de Flávio Vaz Netto, ex-diretor-presidente do Detran-RS, Antônio Dorneu Maciel, ex-diretor da CEEE, e Luiz Paulo Rosek Germano advogado e irmão do deputado José Otávio Germano, ex-secretário de Segurança Pública do Estado.

Redação Terra