IPT: consórcio e Metrô falharam em acidente

07 de junho de 2008 • 09h12 • atualizado às 10h11

O laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do (IPT) sobre as causas do acidente na futura estação Pinheiros do Metrô de São Paulo aponta que houve falhas na execução da obra, realizada pelo Consórcio Via Amarela, e na fiscalização da mesma, a cargo da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). Essas informações constam em um vídeo do IPT sobre as conclusões do acidente, entregue às autoridades que investigam o desmoronamento. O acidente, ocorrido em 12 de janeiro do ano passado, deixou sete mortos.

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Entre as conclusões do laudo estão a ausência de fibra de aço no concreto projetado do túnel em alguns trechos. Em outros, que a quantidade foi inferior ao que estava apontado no projeto, o que não foi constatado pela fiscalização da obra.

Também foi verificada a falta de ingestão de cimento em várias enfilagens.

O laudo constatou ainda a inexistência de um sistema de gerenciamento de risco em condições de prover a segurança adequada nas frentes de obra e à população vizinha e a aceleração da obra em 70% no mês de janeiro, em relação ao mês anterior.

De acordo com o laudo, no dia 11 de janeiro de 2007, quando faltavam poucos metros para completar a escavação do primeiro rebaixo da obra, foi realizada uma reunião entre construtores e projetistas no escritório de campo da estação Pinheiros. Nessa reunião, decidiu-se realizar um reforço na região dos pés das cambotas por meio de tirantes.

Porém, na manhã do dia seguinte, o reforço ainda não havia sido executado e a estabilidade do túnel piorou após as detonações executadas para completar a escavação do primeiro rebaixo junto ao lado do edifício Passarelli.

No início da tarde do dia 12 de janeiro, o processo de ruptura do túnel já estava instalado, aponta o laudo. Isso foi verificado por leituras de recalque e convergências realizadas logo após as 14h em duas seções próximas ao poço da rua Capri.

Durante a execução dessas leituras, os trabalhadores observaram trincas no interior do túnel e na parede do poço, alertando os demais companheiros, que se retiraram do local, aponta o documento.

Segundo o laudo, não foi verificado um procedimento formal, sistematizado e estruturado para a gestão de risco, plano de contingência e plano de emergência.

Por meio de nota, o Metrô informa que, com rapidez e rigor, "vamos apurar as responsabilidades e, então, punirmos quem quer que tenha dado causa a essa tragédia."

O Consórcio Via Amarela, também por meio de nota, afirma que irá se pronunciar após uma análise detalhada do laudo.

O promotor de criminal de Justiça, Arnaldo Hossepian, que acompanha as investigações, ainda aguarda o laudo oficial sobre o acidente, que só ficará pronto em agosto.

Somente depois de conhecer esse laudo ele pretende fazer a denúncia à Justiça sobre os possíveis responsáveis pelo acidente.

Redação Terra
 
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