O presidente da CPI defende que a governadora renuncie, se não der uma resposta convincente |
Fabiana Leal
Direto de Porto Alegre
Rio Grande do Sul
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"As coisas estão cada vez mais complicadas para a senhora Yeda Crusius. O Estado do Rio Grande do Sul está sangrando. Nós estamos perdendo posições para outros lugares. Eu acredito que se a governadora não der uma explicação convincente, ela mesmo teria de ter a decência de admitir que foi um erro todo o seu processo eleitoral e até mesmo renunciar ao seu cargo, porque não podemos permitir que um desgoverno fique mais um período sangrando o Rio Grande do Sul. Temos de ter cautela, mas profundidade, pois o caso é muito grave e o Estado não pode ficar sangrando com essa situação", afirmou o deputado.
A gravação foi feita no dia 26 de maio pelo próprio Feijó. Segundo Pereira, o vice-governador entregou o CD para a deputada Estela Farias (PT) e ela repassou para a CPI. Cópias da gravação também teriam sido enviadas ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Pereira espera que Busatto e o secretário-geral do governo, Delson Martini, deixem o cargo. "Eu não tenho dúvidas de que se eles tiveram o mínimo de decência e compromisso público, o secretário-geral Delson Martini e Cézar Busatto primeiro deveriam sair do governo e, segundo, vir aqui no parlamento dar as devidas declarações para a população sobre tudo isso que ocorreu."
De acordo com Pereira, as denúncias são gravíssimas e abrem uma crise institucional no Rio Grande do Sul, sem precedentes, porque mostram o modus operandi de atuar do Executivo.
Segundo Pereira, o chefe da Casa Civil, (Busatto), mostrou nas gravações as movimentações do governo e como era a política para obter maioria na Assembléia Legislativa. "Cabe à Assembléia Legislativa dar a demonstração de sua maioria, se concorda e assina embaixo desse tipo de prática ou se reage e começa de fato a varrer esse tipo de situação aqui no Rio Grande do Sul."
"Quero ouvir o que a governadora tem a dizer, o que os secretários irão dizer. Mas eu digo que cada vez mais as coisas estão complicadas. Cada vez ficam mais difíceis. São escutas que falam que a governadora sabia, que ela inclusive ia arbitrar como seria a propina no Detran. É muito mais do que omissão, é um compartilhamento."
Entrevista
Após o final da sessão da CPI na Assembléia, Busatto concedeu entrevista em que disse que decidirá se deixa o governo na próxima segunda-feira. "Não tive condição ainda de conversar sobre isso com a governadora. Vou descansar no fim de semana e, com calma, na segunda-feira, vamos conversar sobre isso", afirmou. Ele disse que a governadora Yeda analisa sua permanência no governo e que seguirá a orientação dela. Busatto deu as declarações na sede do governo do Estado.
Enquanto ele falava sobre o assunto, cerca de 80 manifestantes, segundo cálculo da Polícia Militar, na sua maioria estudantes, protestavam em frente ao Palácio Piratini. Mais cedo, o grupo entrou na assembléia e a sessão foi interrompida por 10 minutos. O presidente da CPI conversou com o grupo e autorizou que eles entrassem para assistir a sessão.
CPI
A CPI do Detran-RS tem como objetivo investigar as fraudes no sistema de obtenção e renovação de carteiras de motoristas no Estado. De acordo com a Operação Rodin, da Polícia Federal, o grupo teria desviado R$ 44 milhões dos cofres públicos.
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou na última terça-feira ação de improbidade administrativa contra 51 pessoas (físicas e jurídicas), acusadas de envolvimento em fraude nos contratos de prestação de serviços ao Detran-RS pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae). As duas são vinculadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Muitas dessas pessoas já são réus no processo criminal aberto pelo MPF, junto à Justiça Federal. A ação foi protocolada na Justiça Federal de Santa Maria (RS).
Redação Terra