CPI: mercados em presídios dão poder a presos

07 de junho de 2008 • 08h38 • atualizado às 08h47

Fabiana Leal

Brasil


A CPI do Sistema Carcerário verificou a existência de mercearias ou minimercados dentro de presídios visitados pela comissão no País. Eles vendem de tudo, principalmente, mantimentos. Segundo o presidente da CPI, Neucimar Fraga (PR-ES), isso gera um controle dentro da cadeia. "O preso que tem essa regalia, tem o controle sobre os demais presos. As regalias são parte de estratégias de diretores e agentes coniventes com o crime dentro da cadeia. Isso acontece porque um diretor não quer ter problema na cadeia. Alguns são até corrompidos para isso", afirmou o parlamentar.

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De acordo com Fraga, no Presídio Central, em Porto Alegre (RS), há uma mercearia que vende mais de R$ 30 mil por mês. O valor foi passado à comissão pelo gerente da mercearia. "Eu acho que é muito mais", disse o parlamentar. "O gerente é um funcionário de uma mulher que tem uma franquia dentro dos presídios. Acho que é ligada a agente ou a delegado."

Segundo o parlamentar, cada pavilhão tem um minimercado. "Os presos têm de comprar na mercearia, que fica na entrada (do presídio), perto da administração. Cada pavilhão tem um preso escolhido para fazer as compras. Isso gera um controle dentro da cadeia."

De acordo com Fraga, o Presídio Lemos de Brito, em Salvador (BA), e o Presídio Aníbal Bruno, no Recife (PE), também têm um esquema de compra e venda de mercadorias. "No Rio de Janeiro, também tem mercearia dos presos." Segundo a comissão, em Pernambuco, a moeda de troca é dinheiro.

No Recife, os presos compram diretamente na rua. "Eles dão um jeito para sair. O pessoal autoriza eles saírem para comprar."

Redação Terra
 
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