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 Taxa de homicídios cresce 130% em 20 anos no País
13 de abril de 2004 10h23 atualizado às 10h23

Policiais resgatam corpo durante operação realizada na Rocinha, Rio de Janeiro. A capital carioca está sendo palco de uma guerrilha urbana nesse mês, .... Foto: Reuters

Policiais resgatam corpo durante operação realizada na Rocinha, Rio de Janeiro. A capital carioca está sendo palco de uma guerrilha urbana nesse mês, comprovando o alto índice de violência
Foto: Reuters

A violência registrou aumento no Brasil entre 1980 e 2000, de acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada hoje pelo IBGE. Durante esses 20 anos, a taxa de mortalidade por homicídio cresceu 130%, passando de 11,7 por cada 100 mil habitantes para 27 por 100 mil. Os Estados que registraram maiores taxas foram Pernambuco (54), Rio de Janeiro (51), Espírito Santo (46) e São Paulo (42).

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    Considerando-se apenas os homens, a taxa de homicídios cresceu 134%, no mesmo período: enquanto, em 1980, 21,2 a cada 100 mil homens morriam assassinados, em 2000 a proporção cresceu para 49,7 por 100 mil. Os homens jovens, de 15 a 24 anos, são os mais afetados. Em 2000, 95,6 a cada 100 mil homens dessa faixa de idade morreram, vítimas de homicídio, sendo 71,7 em cada 100 mil (ou seja, 75%) mortos com armas de fogo. Em relação a 1991, cresceu 46% a taxa de homicídios de homens jovens (era de 65,5 a cada 100 mil) e aumentou 95% a taxa dos realizados com armas de fogo (era de 36,8 por 100 mil, ou 56,2% do total).

    Rio de Janeiro e Pernambuco são os estados onde a violência contra o homem jovem é maior. No Rio de Janeiro, em 2000, havia 205 homicídios por 100 mil homens de 15 a 24 anos, sendo que as mortes por armas de fogo representavam 89% deste total. De 1991 para 2000, as mortes de homens jovens por armas de fogo cresceram 45% no estado, passando de 124,5 por 100 mil para 181,6 a cada 100 mil.

    Em Pernambuco, em 2000, por sua vez, havia 198 homicídios para cada 100 mil homens jovens, 91% deles com armas de fogo. De 1991 para 2000, o crescimento das mortes de homens jovens por armas de fogo foi de 121%, passando a taxa de 80,9 por 100 mil para 179,5 por 100 mil.

    2 milhões de mortes não naturais desde 1980
    O total de causas externas (que, além de homicídios, inclui também acidentes, suicídios e outras causas não naturais) provocou no país cerca de 2 milhões de mortes de 1980 a 2000 - o equivalente à população de Brasília. Em 82,2% dos casos (1,7 milhões), as vítimas foram homens. Em 2000, as causas externas foram a segunda maior causa de morte no país (14,5% do total de mortes), junto com as neoplasias malignas (14,9%).

    Na distribuição dos tipos de causas externas, os homicídios vêm aumentando sua participação, enquanto a dos acidentes de trânsito vem caindo. Entre 1991 e 2000, a proporção de mortes por acidentes de transporte, no total de causas externas, caiu 10,4%, passando a 25% do total, enquanto a de homicídios cresceu 27,2% e chegou a 38,3% do total.

    Nos óbitos masculinos, a participação das mortes por causas externas aumentou de 13% para 18% do total, entre 1980 e 2000. Já entre as mulheres, a proporção caiu ligeiramente entre 1990 e 2000, de 5,26% para 4,78%. A faixa de 15 a 39 anos representa 59% das pessoas que morrem por esse tipo de causa, sendo 27% apenas o grupo de 15 a 24 anos. Nesta faixa mais jovem, 78,5% das mortes ocorrem por causas externas.

    A violência coloca em questão a capacidade de os estabelecimentos de saúde oferecerem atendimento de emergência gratuito às vítimas de agressão. A Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária do IBGE, de 2002, observou que a oferta de camas UTI disponíveis ao SUS é mais precária no Norte (4,7 camas por 100 mil habitantes) e no Nordeste (5,8). No Sul, é de 13 por 100 mil, no Centro-Oeste é de 10,6 e no Sudeste, de 10,5.

    Pertencem à esfera privada 65,7% dos estabelecimentos capazes de prestar atendimento 24 horas a vítimas de violência (com serviço de emergência em cirurgia e/ou traumato-ortopedia). O Sudeste concentra 39% dos estabelecimentos deste tipo, enquanto sua população representa 43% da do país.

    Homicídios com armas de fogo
    De acordo com informações de um gráfico elaborado no estudo do IBGE sobre taxa de mortalidade por 100 mil habitantes por armas de fogo em jovens do sexo masculino de 15 a 24 anos de idade em cada Estado e no País entre 1991 e 2000, o Rio de Janeiro apresenta o maior índice e Maranhão, o menor. Apenas cinco Estados registraram queda no índice.

  • Rio de Janeiro: em 1991 eram 124,5 e em 2000, 181,6
  • Pernambuco: em 1991 eram 80,9 e em 2000, 179,5
  • Espírito Santo: em 1991 eram 46 e em 2000, 121,7
  • São Paulo: em 1991 eram 43,6 e em 2000, 114,6
  • Distrito Federal: em 1991 eram 85,4 e em 2000, 112,7
  • Mato Grosso: em 1991 eram 17,5 e em 2000, 77,5
  • Mato Grosso do Sul: em 1991 eram 34,4 e em 2000, 76,1
  • BRASIL: em 1991 eram 36,8 e em 2000, 71,7
  • Alagoas: em 1991 eram 17,2 e em 2000, 60,7
  • Sergipe: em 1991 eram 35,7 e em 2000, 53,1
  • Goiás: em 1991 eram 30,7 e em 2000, 52,9
  • Rondônia: em 1991 eram 51,6 e em 2000, 52,4
  • Roraima: em 1991 eram 12,1 e em 2000, 51,5
  • Rio Grande do Sul: em 1991 eram 45,3 e em 2000, 46,9
  • Paraná: em 1991 eram 16,7 e em 2000, 45,6
  • Paraíba: em 1991 eram 12,8 e em 2000, 43,3
  • Amazonas (queda): em 1991 eram 45 e em 2000, 35,3
  • Minas Gerais: em 1991 eram 11,1 e em 2000, 32,3
  • Ceará: em 1991 eram 13,5 e em 2000, 31,4
  • Amapá: em 1991 eram 13,5 e em 2000, 30,6
  • Tocantins: em 1991 eram 12,7 e em 2000, 29,2
  • Acre (queda): em 1991 eram 44,8 e em 2000, 24,3
  • Pará (queda): em 1991 eram 26 e em 2000, 24
  • Bahia: em 1991 eram 6,4 e em 2000, 21
  • Rio Grande do Norte: em 1991 eram 14,2 e em 2000, 17,6
  • Piauí: em 1991 eram 3,2 e em 2000, 11,3
  • Santa Catarina (queda): em 1991 eram 12 e em 2000, 10,5
  • Maranhão (queda): em 1991 eram 13,4 e em 2000, 7,7
  • Redação Terra