CPI: relator poupa governo do PT e critica ex-ministros de FHC

03 de junho de 2008 • 12h11 • atualizado às 12h17

Marina Mello
Direto de Brasília

Brasília


Em seu relatório final de mais de 900 páginas, o deputado Luís Sérgio (PT-RJ), relator da CPI mista dos Cartões, chamou os gastos excessivos do governo com o cartão de "equívocos" e criticou gastos com cartão corporativo feitos por ex-ministros do governo Fernando Henrique Cardoso.

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O relator se baseia em dados de notas técnicas da Controladoria Geral da União e sugere até que alguns ex-ministros devolvam dinheiro aos cofres públicos. Entre as irregularidades por ele elencadas estão: gastos com massagens, bebidas alcoólicas, supostos gastos com acompanhantes e até a aquisição de um tucano de pedras.

Segundo o relatório, a compra foi feita pelo ex-ministro da comunicação Pimenta da Veiga. O documento diz que a nota fiscal do gasto do ministro explica: "tucano de pedras quartzo azul e quartzo verde, no valor de R$ 48,90, datada de 06/03/2001".

Outro ex-ministro tucano citado foi o da educação, Paulo Renato. Segundo o relator, Renato não "fundamentou suas constantes viagens ao Rio de Janeiro como sendo viagens a serviço". Por esta razão, na visão dele, os órgãos de controle deverão indicar "erro na aplicação de dinheiro público" por parte dele.

Segundo o deputado, o ex-ministro do planejamento, Martus Tavares, também apresenta notas fiscais com "valores muito elevados que devem ser examinados pela CGU (...) Com isso, os valores pagos a mais deverão ser devolvidos aos cofres públicos", diz o relatório.

Luis Sergio cita ainda gastos feitos pelo ex-ministro com bebidas alcoólicas, e com gastos em apenas uma refeição de dois pratos de polvo à provençal, uma porção de filé de linguado, uma porção de tranche de creme e duas porções de creme de papaia. "É visível que os gastos não se referiam apenas aos da pessoa do ex-ministro", diz o relator.

Também foi citado o caso do ex-ministro da reforma agrária, Raul Jungmannn, com gastos em massagens, viagens com acompanhantes e "despesas elevadas em restaurantes".

O relator minimizou os gastos da ex-ministra da igualdade racial, Matilde Ribeiro, em um free shop, e do ministro da pesca, Altemir Gregolin, em restaurantes e churrascarias. Segundo ele, a própria CGU já auditou os dados, os valores gastos de maneira irregular foram devolvidos e boa parte dos erros foram cometidos "por engano".

Redação Terra
 
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