PF afirma que suposta quadrilha de Garotinho cobrava propina

29 de maio de 2008 • 12h55 • atualizado às 18h51
Álvaro Lins é transportado em veículo da polícia após ser preso sem seu apartamento, no Rio de Janeiro Foto: Severino Silva/O Dia
Álvaro Lins é transportado em veículo da polícia após ser preso sem seu apartamento, no Rio de Janeiro
29 de maio de 2008
Foto: Severino Silva/O Dia

Ernani Alves
Direto do Rio de Janeiro

Rio de Janeiro


O superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Valdinho Jacinto Caetano, afirmou que o grupo que teria o envolvimento do ex-governador Anthony Garotinho e que seria comandado pelo deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil do Estado, Álvaro Lins (PMDB), cobrava propina para dar cobertura a empresários em atividades ilegais. O dinheiro arrecadado pela suposta organização criminosa seria utilizado no financiamento de campanhas políticas.

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Álvaro Lins foi detido, por volta das 6h, pela Operação Segurança Pública S/A, promovida pela PF. Outros seis suspeitos estão presos. "Esse grupo possuia um mentor e um chefe que executava as ações. Essa quadrilha dava cobertura para empresários atuarem em caça-níqueis e outros jogos de azar, além de sonegação de impostos", destacou Caetano.

Ainda de acordo com o superintendente, a quadrilha loteava unidades policiais. As investigações apontam que os delegados eram indicados sob a condição de facilitar atividades de quadrilhas ligadas a Álvaro Lins.

Valdinho Jacinto Caetano disse também que o ex-chefe da Polícia Civil acabou preso em flagrante porque foi encontrado dentro de seu apartamento, na rua 5 de Julho, em Copacabana, na zona sul do Rio. O imóvel teria sido comprado com dinheiro ilícito.

Além de Álvaro Lins, foram detidos em flagrante o sogro do parlamentar, Francis Bullos, e a ex-mulher do político, Luciana Gouveia dos Santos. A operação Segurança Pública S/A também prendeu, através de mandado, os inspetores de polícia Mário Franklin de Carvalho, o Marinho, e Alcides Santos Ferreira, o Alcides Cabeção. Outros dois envolvidos já se encontravam detidos.

Os agentes federais ainda pretendem cumprir três mandados de prisão. Eles estão procurando o ex-chefe da Polícia Civil Ricardo Hallak, o delegado Luis Carlos dos Santos, chefe do gabinete de Álvaro Lins na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), e o policial Helio Machado da Conceição, mais conhecido como Helinho.

A Operação Segurança Pública S/A foi elaborada com base em documentos apreendidos pela Operação Gladiador promovida pela Polícia Federal, no final de 2006. Na ocasião, o trabalho foi realizado para cumprir 45 mandados de prisão de pessoas ligadas à máfia dos caça-níqueis.

O deputado estadual e ex-chefe da Polícia Civil Álvaro Lins, o ex-governador Anthony Garotinho e mais 14 suspeitos foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF). Eles são acusados de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e corrupção.

Veja os denunciados e os crimes:

- Álvaro Lins dos Santos: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva;

- Anthony Willian Garotinho: formação de quadrilha armada;

- Ricardo Hallak: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva;

- Alcides Campos Sodré Ferreira: corrupção ativa;

- Daniel Goulart: formação de quadrilha armada;

- Fábio Menezes de Leão, Helio Machado da Conceição e Jorge Luiz Fernandes: facilitação de contrabando;

- Luiz Carlos dos Santos: formação de quadrilha armada e corrupção ativa;

- Mário Franklin Leite Mustrange de Carvalho: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha armada, facilitação de contrabando e corrupção passiva;

- Francis Bullos: lavagem de dinheiro e formação de quadrilha armada;

- Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins, Vanda de Oliveira Bullos, Amaelia Lins dos Santos, Maria Canali Bullos e Luciana Gouveia dos Santos: lavagem de dinheiro.

Redação Terra
 
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