Hermano Freitas
Direto de São Paulo
São Paulo
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Por determinação de Fossen, a madrasta de Isabella, Anna Carolina Jatoba, não acompanhou o interrogatório, de acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça. Nardoni reafirmou inocência ao juiz, demonstrou sobriedade, não chorou e procurou descrever todos os fatos.
O pai de Isabella acusou em interrogatório a delegada-assistente Renata Pontes e colegas de polícia de tê-lo chamado de "assassino" desde o dia da morte. Além disso, Nardoni afirmou que os policiais nunca investigaram outras pessoas além dele e de Anna Carolina. Ele citou como possíveis suspeitos do crime o porteito e um pedreiro, com o qual teria tido uma "áspera" discussão.
Segundo a assessoria do tribunal, no interrogatório, Nardoni procurou reforçar a tese de fragilidade da segurança do prédio dizendo que em uma ocasião tocou a cerca elétrica e constatou que ela estava desligada.
Com relação ao dia da morte da filha, ele disse em que deu pela falta de Isabella com o filho Pietro, 3 anos, no colo. O menino teria acordado com o desespero do pai.
De acordo com a assessoria do tribunal, Nardoni repetiu o depoimento da mulher quando ela disse que as chaves dos apartamentos do prédio ficaram cerca de quatro meses na portaria do edifício enquanto estavam em reforma. Ele falou que brigou com o porteiro porque não o encontrou no posto quando desceu para ver a filha ferida e disse que pediu à mulher que chamasse a mãe da menina pelo celular.
A madrasta e a mãe de Isabella teriam tido uma discussão sobre a qual o interrogado não deu mais detalhes. Assim como a companheira, Nardoni disse que a faxineira do casal não ia ao apartamento há uma semana e que, por isso, o imóvel estava bagunçado.
Madrasta
O interrogatório da companheira de Nardoni teve início às 13h52 e terminou às 17h30, totalizando cerca de três horas e 40 minutos de duração. Segundo a assessoria do tribunal, ela se emocionou e chorou em diversos momentos e disse ao juiz Mauricio Fossen que as acusações são "totalmente falsas".
Ela foi levada para a carceragem do Fórum de Santana. O casal se encontrou por alguns minutos. De acordo com um policial, Nardoni tentou acalmar Anna Carolina.
Anna Carolina afirmou no interrogatório que foi pressionada pela polícia desde o dia da morte da menina a incriminar o pai da garota, Alexandre Nardoni, de acordo com a assessoria do tribunal.
A madrasta foi contestada pelo promotor responsável pelo caso, Francisco Cembranelli. Ele disse que, quando ela foi pela segunda vez à polícia, não relatou esse fato. A Polícia Civil de São Paulo informou que não vai se pronunciar sobre a declaração da madrasta pois o caso já está com a Justiça.
Isabella Nardoni, 5 anos, foi encontrada ferida no dia 29 de março no jardim do prédio onde moram o pai Alexandre Nardoni e a madrasta Anna Carolina Jatobá, na zona norte de São Paulo. Segundo os Bombeiros, a menina chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro da Santa Casa, mas não resistiu aos ferimentos e morreu por volta da 0h.
O inquérito policial apontou que ela foi agredida, asfixiada e jogada do sexto andar do edifício. No dia 18 de abril, Alexandre e Anna Carolina foram indiciados por homicídio doloso, triplamente qualificado. No dia 6 de maio, o promotor Francisco Cembranelli denunciou e pediu a prisão preventiva do casal, aceita pela Justiça. Alexandre está preso na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado (P-2), em Tremembé (SP), e Anna Carolina, na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, também em Tremembé.
Os interrogatórios do casal não foram abertos à imprensa. Por isso, as informações sobre as oitivas foram passadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça.
Redação Terra