O PAC da Saúde estabeleceu meta de 51 mil laqueaduras para 2008, um aumento de apenas 1,9% em relação aos procedimentos do tipo realizados no ano de 2006. O objetivo corresponde a 0,09% do universo de 52.470.736 mulheres em idade reprodutiva no País este ano.
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Segundo a diretora-adjunta do Departamento de Ações Estratégicas do Ministério da Saúde, Lena Peres, "nossa política realmente é de desestímulo a essas práticas definitivas". "Estamos investindo pesado para oferecer a toda a população os métodos contraceptivos. O grau de arrependimento entre os que fazem vasectomia ou laqueadura chega a 30%."
A quantidade de contraceptivos em processo de compra pelo governo impressiona. Com investimento de R$ 100 milhões, deverão estar disponíveis na rede pública de Saúde ainda este ano 1 bilhão de camisinhas, 53 milhões de pílulas anticoncepcionais, 24 mil diafragmas e 300 mil dispositivos intra-uterinos (DIUs), entre outros.
O problema é convencer uma legião de jovens a usá-los.
"O adolescente se acha imune às doenças sexualmente transmissíveis e até à gravidez", analisa Marco Apolinario, gerente de Saúde da Mulher da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil do Rio. "Por mais que se informe nas escolas e na mídia, o descuido no momento do ato sexual é muito grande."
Que o diga J.E.B., 17, também moradora da Rocinha. Camelô como sua mãe, ela perdeu a virgindade aos 15 e durante seis meses transou com o namorado, um motoboy, sem qualquer precaução.
"Me disseram que só engravidaria depois de dois anos transando. Acreditei", conta, mostrando a desinformação de quem abandonou a escola na 6ª série e nunca recebeu orientação sexual.
J. não quer nem pensar em ter outro filho, por isso agora toma pílula religiosamente.
"Estou com medo, fico o dia todo lembrando que tenho que tomar. Minha situação está muito ruim. Quando chove, meu barraco fica cheio de água."
Lena Peres concorda que o problema entre adolescentes é grave.
"Vamos lançar uma grande campanha ainda este ano".
Sem esperanças
A vontade de J. é mesmo fazer a ligadura de trompas, motivo pelo qual procurou um posto de saúde municipal. A Lei 9263, de 1996, no entanto, acaba com suas esperanças por ser menor de idade. Caso fosse maior, ela deveria ter pelo menos dois filhos, ou 25 anos, para pleitear a cirurgia. No posto da prefeitura, entretanto, J. foi mal informada.
"Disseram que só depois do terceiro filho ou com 28 anos."
Diana Cristina e Silva, gerente da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal de Saúde do Rio, relata que em oito hospitais da rede da capital foram feitas 1.374 laqueaduras em 2006, contra 1.002 no ano anterior:
"Nos preocupamos muito com métodos irreversíveis. Todas as interessadas devem ingressar nas palestras educativas e, depois delas, muitas desistem da laqueadura."


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