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Os sócios de direito da casa de prostituição W.E. eram Paula Napolitano e Gabriel Murad, disse Domingos. Seus clientes, que foram presos na Operação Santa Tereza, seriam apenas promotores e sócios de fato da empresa, ganhando comissões sobre os produtos consumidos no bar e sobre a hospedagem de pessoas no flat que ficava anexo à W.E.
De acordo com Domingos, Celso Murad seria o responsável pela parte financeira da W.E., empresa que os advogados alegam se tratar apenas de "um bar e restaurante". Um taxista paulistano disse ter conhecimento de que a W.E. seria uma casa de prostituição, freqüentada principalmente por empresários, e que cobraria cerca de R$ 200 pelo ingresso para entrar. O taxista contou já ter levado clientes para o local.
"Há uma participação, de fato, dos sócios Edson e Washington. Quando levassem algumas pessoas para consumir ou se hospedar no flat, eles receberiam um retorno e uma participação nos lucros", disse Anderson Real, outro advogado dos irmãos Napolitano.
Segundo Real, quem faria o pagamento dessas comissões seria Manuel Fernandes Bastos Filho, também dono da casa de prostituição e apontado pela Polícia Federal como o líder da organização criminosa acusada de fraudar financiamentos no BNDES para prefeituras e empresas e de praticar prostituição e tráfico de pessoas.
O Ministério Público Federal em São Paulo acredita que haja participação de parlamentares no esquema de fraudes no BNDES. A suspeita é que o prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão, e o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (PDT-SP), que gozam de foro privilegiado, também tenham participado do esquema.
Em nota, a assessoria de imprensa da prefeitura de Praia Grande informou que Alberto Mourão só vai se manifestar sobre o caso depois da decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que pode decidir sobre a abertura de uma investigação sobre o prefeito.
A nota informa que a prefeitura de Praia Grande "não contratou serviços de assessoria ou consultoria para a liberação de recursos do BNDES" e que as obras públicas realizadas com recurso do banco foram todas precedidas de licitação.
Ainda segundo a prefeitura, o valor total do crédito obtido no BNDES para 12 obras públicas na cidade foi de R$ 123 milhões, sendo que R$ 40 milhões foram liberados até o momento e "somente cinco obras estarão contratadas até o final de 2008". Pelo cronograma do BNDES, as liberações dos recursos seriam feitas até 2010.
Já a Câmara dos Vereadores da cidade informou que foi aprovado um requerimento para acompanhar as investigações que estão sendo conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. Segundo a assessoria, falta apenas definir o nome dos vereadores que farão parte da comissão que vai fazer este acompanhamento.
O Tribunal Regional Federal informou que recebeu os autos sobre o prefeito Alberto Mourão no dia 9 de maio e que o caso está sendo analisado pelo desembargador federal Fábio Prieto, que não tem prazo para conclusão.
Agência Brasil