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Atualizada às 14h06
Fabiana Leal
O chefe da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal, Felipe Seixas, afirmou que é bastante comum vítimas de tráfico internacional de pessoas tornarem-se aliciadoras quando retornam ao Brasil. Segundo ele, isso ocorre porque elas precisam terminar de pagar a dívida que contraíram no exterior.
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"Normalmente, existe um contato entre as pessoas que estão envolvidas (em aliciar no exterior) com casas de prostituição e aliciadores no País. Muitas vezes até ex-vítimas. Elas têm de ter credibilidade. Não é fácil a abordagem. Fica mais fácil dizer: 'eu já fui, ganhei muito dinheiro e deu certo'."
De 2004 a 2008, a Polícia Federal desencadeou 21 operações contra tráfico internacional de seres humanos. No período, 195 pessoas foram presas. Nos cinco primeiros meses deste ano, foram realizadas quatro operações e 50 prisões foram efetuadas nas operações Madri, Santa Teresa, Treviso e Anjos do Sol.
Seixas diz que, como a polícia não tem o direito de impedir a saída da pessoa do País, se ela estiver com os documentos em dia, o máximo que a PF pode fazer é conscientizar. "Quando detectamos, durante a expedição do passaporte, que a pessoa é uma vítima em potencial (para a exploração), tentamos convencê-la dos riscos (de deixar o País)".
Seixas tem cuidado para não estigmatizar as vítimas em potencial, mas diz que geralmente elas têm baixa condição financeira, não falam o idioma, não sabem muito bem onde vão se hospedar e costumam ser jovens e bonitas. O visto também não costuma ser de turismo.
O chefe da Divisão de Direitos Humanos da PF diz que a vítima geralmente sente-se "meio coagida (no exterior), porque acha que vai ser presa". "A vítima pode procurar a polícia e denunciar. Ela não vai ser presa e, na maioria das vezes, terá direito de ficar no país. Mas, para isso, tem de ser identificada como vítima de tráfico, como por exemplo, comprovando que está sem passaporte (porque foi retido pelo aliciador) ou provando a questão da dívida contraída. A polícia tem meios de descobrir, desde que a vítima se disponha a denunciar e colaborar."
Segundo Seixas, as vítimas geralmente são descobertas quando acontecem batias policiais ou quando elas estão em uma situação limite - em que não agüentam mais a exploração. "Muitas vezes não querem colaborar com a Justiça, porque a questão da exploração no Brasil já é tal, que normalmente as pessoas não se reconhecem como vítimas", afirma.
De acordo com o chefe da divisão de Direitos Humanos da PF, quando a pessoa se der conta que foi vítima de tráfico, deve procurar o consulado do Brasil no exterior ou a polícia. Há ONGs que também cuidam dessa área. "Vários cônsules fizeram uma capacitação para identificar se é tráfico ou imigração irregular." Em casos de situação irregular, a pessoa pode ser deportada.
Redação Terra
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