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Eliana Gorritti
Direto de Goiânia
No comércio, muitas lojas permaneceram de portas fechadas durante todo o dia. A vendedora Sônia Costa até tentou chegar ao trabalho, mas depois de 40 minutos no ponto de ônibus, desistiu de ir ao serviço. "Cansei de esperar por uma carona. Não tenho condições de pagar um táxi e o meu chefe não tem como vir me buscar. O jeito é voltar para casa e esperar essa greve terminar", disse a vendedora.
Segundo o presidente do Sindicato dos Lojistas de Vitória, Jadir Primo, o prejuízo para os empresários é grande. "Cerca de 30% das lojas não abriram as portas, e para cada comerciante que conseguiu abrir o comércio, 70% é de prejuízo, já que não há muitas pessoas nas ruas".
As principais vias da capital capixaba ficaram congestionadas devido ao aumento do fluxo de carros. Quem precisou sair de casa teve que contar com os táxis ou com os transportes alternativos. Contudo, nem os taxistas dão conta da demanda. O presidente do Sindicato dos Taxistas do Espírito Santo, Miguel Campos, afirmou que toda a frota de 1,8 mil táxis que atuam na Grande Vitória está nas ruas.
"Mas realmente o número é insuficiente para atender à grande procura de passageiros", disse Campos. Até transportes considerados clandestinos circularam lotados durante toda a terça-feira.
Quem também lucrou com a greve foram os catraieiros da Baía de Vitória, que fazem a travessia para o município de Vila Velha. O aumento no volume de passageiros chega a 50%. Durante a tarde, quase 500 pessoas utilizaram o transporte aquaviário.
O auxiliar de serviços gerais Antônio Rufino Oliveira foi um dos que utilizaram o serviço dos catraieiros. "Preciso chegar ao trabalho e não tenho outra opção. Ontem fiquei esperando ônibus ou um táxi e já cheguei muito atrasado. Hoje resolvi utilizar o transporte aquaviário", explicou Antônio.
Nota de repúdio
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Espírito Santo e a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 17ª Região (Amatra) divulgaram notas de repúdio à forma como o movimento grevista está sendo realizado. Segundo a Amatra, "a greve não é um direito absoluto, e deve ser exercida em perfeita harmonia com os interesses de toda a sociedade".
A OAB lembra que o direito de greve está previsto pela Constituição brasileira, bem como a possibilidade de negociação de direitos e deveres entre patrões e empregados. Além disso, reafirma que o direito de ir e vir da população é também garantia constitucional do cidadão e dever do Estado.
Dissídio coletivo
Amanhã, a Justiça do Trabalho julga o dissídio coletivo da categoria. Os rodoviários não descartam a possibilidade de não retornarem ao trabalho caso a decisão não atenda às reivindicações da categoria. Cobradores e motoristas já descumpriram uma liminar que determinava a circulação de 50% da frota de ônibus na Grande Vitória durante a greve. O descumprimento da decisão acarreta uma multa de R$ 50 mil por dia.
O advogado do Sindirodoviários, Aides Bertoldo, afirmou que os próximos passos do movimento grevista só serão decididos após o julgamento do dissídio. "Se não resolver dentro do Tribunal, a categoria que irá decidir. Nós vamos fazer tudo o que for possível para que a categoria cumprir a decisão do Tribunal", disse Bertoldo.
Redação Terra
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