A Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos homenageou com missas, ao longo do dia de hoje (13), os 120 anos da Lei Áurea, que libertou os escravos. As cerimônias contaram com a participação de mais de mil devotos.
Durante as celebrações, foram organizados cortejos à capela, onde estão guardados os restos mortais de vários escravos. No período Imperial, quando o templo foi construído, os escravos eram enterrados à porta das igrejas, já que o interior era destinado aos brancos.
Na capela, iluminada por velas, funcionários do Museu do Negro - que fica na própria Igreja - ajudavam a lembrar a história dos escravos. Tratava-se de figuras sobre castigos físicos e objetos de tortura. Havia também "santinhos" da "escrava Anastácia", considerada santa heroína por alguns devotos.
As celebrações realizadas na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos lembraram também o papel de intelectuais abolicionistas como José Bonifácio, Lima Barreto e Castro Alves. Participaram do evento descendentes da família real portuguesa.
A prática religiosa é a principal atividade da Irmandade, associação fundada por escravos no período colonial. Registradas em todo o país, abrigavam negros fugidos, cuidavam dos doentes e até financiavam publicações abolicionistas. Segundo historiadores, tiveram atuação marcante na aprovação da Lei Áurea.
Atualmente, no Rio de Janeiro, a Irmandade dos Homens Pretos é formada por trabalhadores brancos e negros, muitos descentes dos fundadores, que defendem os dogmas católicos e também a igualdade entre as raças.
"Apesar de ser uma instituição de cunho étnico, a tônica da nossa atuação, católica, é a caridade. A obrigação da irmandade é servir espiritualmente a todos, o que inclui também atividades educativas falando sobre a nossa história", contou o escrivão Vanderli Texeira.
Agência Brasil
Busca
Busque outras notícias no Terra: