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Atualizada às 19h10
» Chance de achar novos corpos é remota
» Buscas no rio Solimões continua
» Analista ajuda a salvar sobreviventes
O barco Comandante Sales sofreu um acidente no último domingo no rio Solimões. No Instituto Médico Legal (IML) em Manaus, a lista oficial de mortos contabiliza 46 pessoas. Desse total, apenas um homem não foi reconhecido. As vítimas são 25 homens (mais um bebê de nove meses) e 20 mulheres. O barco, que retornava de uma festa na comunidade do Pesqueiro, levava muitos jovens. Dos mortos, 14 tinham entre 15 e 18 anos.
Segundo Braga, é preciso aumentar a fiscalização dos barcos na região para impedir que se repitam acidentes como o que ocorreu no último dia 5 em Manacapuru. Ao participar, ontem, da inauguração da agroindústria de óleos de Manaquiri, o governador lamentou mais uma vez o acidente ocorrido com o barco Comandante Salles 2008.
"O Ministério dos Transportes precisa olhar para nossas hidrovias, e nós precisamos balizá-las e sinalizá-las, porque, do contrário, o risco de acidentes é maior", disse Braga, ressaltando que o trânsito nos rios da região vem aumentando.
Braga disse que a preocupação com o transporte de passageiros nos rios amazônicos já é compartilhada com o governo federal e citou o Programa Amazônia Sustentável, lançado quinta-feira, que prevê a implantação de uma grande política de balizamento e sinalização das hidrovias da região. Para ele, embora a situação do Amazonas seja diferente da de outros Estados da região, o assunto terá prioridade: "O transporte hidroviário no Amazonas é diferente do de outros estados. O Pará e o Acre, por exemplo, têm malhas hidroviárias muito maiores do que a nossa. Contudo o assunto é prioridade no Amazonas."
De acordo com a Marinha, todos os meses, cerca de 2,8 milhões de pessoas usam algum meio de transporte aquático para viagens intermunicipais e travessias entre comunidades. "O número é alto, porque na Amazônia os rios são as estradas dos que desejam se deslocar para outros lugares", disse o comandante da Capitania dos Portos da Amazônia Ocidental, Dennis Teixeira. Segundo ele, é preciso haver mais fiscalização, mas o contingente da Marinha não é suficiente para atender toda a demanda.
"Seria preciso mais gente para garantir maior cobertura dos rios da região amazônica. A Marinha tem uma área enorme para atender, e não há Capitania (dos Portos) em todos os municípios. Infelizmente, a Marinha é pequena para o tamanho do nosso País", afirmou o comandante. Para ele, o problema da insuficiência nas fiscalizações é acentuado na Amazônia em virtude de uma cultura local de desrespeito às exigências da Marinha.
"O problema é que na Amazônia, muitas vezes, o indivíduo constrói o barco, coloca-o no rio e, geralmente, só depois de ser descoberto pela Marinha numa situação irregular ou até de acidente, é que procura fazer a regularização", disse o comandante.
O comandante destacou, entretanto, a existência do Programa de Segurança da Navegação da Amazônia Ocidental, que desde 2003 orienta os armadores e a população sobre todas as circunstâncias de tráfego no meio hidroviário, o que pode contribuir para reverter o elevado número de acidentes. "Durante todo o ano, nossos homens realizam cursos de pequena e média duração sobre segurança nas embarcações e até mesmo como preparação para quem deseja ser condutor ou tripulante dos barcos", afirmou.
Agência Brasil
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