Lembre como foram os ataques de 2006 do PCC

11 de maio de 2008 • 09h27 • atualizado às 09h58

Cláudio Dias
Direto de Araraquara

São Paulo


Em 2006, a facção Primeiro Comando da Capital (PCC) fez a maior ofensiva contra o Estado da história do sistema penitenciário brasileiro. Em uma onda de violência coordenada por celulares de dentro das prisões, em poucas horas, os detentos organizaram rebeliões simultâneas, ataques e atentados contra agentes penitenciários, policiais, guardas municipais e um bombeiro.

» Rebeliões dimuíram 2 anos após ataques

O motivo da ação do PCC teria sido a determinação da cúpula da Segurança do Estado de transferir para a Penitenciária de Presidente Venceslau os 765 presos mais perigosos do sistema carcerário e levar para depor em São Paulo alguns líderes da facção, entre eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

A decisão das autoridades, entre elas, o ex-secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, acabou sendo o estopim dos ataques. A primeira e pior onda de violência ocorreu de 12 a 19 de maio. A megarrebelião estourou no dia 13, véspera do Dia das Mães.

Policiais eram chamados às pressas para conter os motins e as portas dos presídios permaneciam lotadas de familiares e policiais e imprensa. Foram 299 ataques. Em apenas uma semana, morreram 24 policiais militares, oito policiais civis, quatro guardas municipais e oito agentes penitenciários. A reação da polícia terminou com a morte de mais de 120 suspeitos.

Uma onda de boatos sobre possíveis ataques tomou conta de várias cidades do Estado, forçando comerciantes a fecharem as portas e universidades a suspenderem as aulas. Para inibir a comunicação entre os presos, a Justiça chegou a bloquear o sinal do telefone celular em alguns presídios por 20 dias, afetando também a população vizinha das casas penais.

Os motins foram controlados e, enquanto as autoridades tentavam entender o poder de reação do PCC, uma segunda onda de ataques ocorrer entre os dias 11 e 14 de julho. Desta vez, os presos também se rebelaram, mas em um número inferior. A ação em Araraquara foi a mais longa do sistema penal. O motim durou 19 horas. O motivo, segundo os presos da época, foi a solidariedade aos líderes isolados em Venceslau.

Nos ataques promovidos pelos integrantes do PCC em liberdade, os alvos foram ônibus, prédios, agências bancárias, lojas e atentados a agentes de segurança. Oito morreram. Já a terceira onda de ataques foi entre os dias 7 e 9 de agosto. A principal marca foi o uso de bombas caseiras contra prédios públicos.

Redação Terra
 
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