Fazendeiro nega envolvimento na morte de Dorothy

05 de maio de 2008 • 12h12 • atualizado às 12h27

Lucy Silva
Direto de Belém

Pará


O fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, voltou a negar o envolvimento na morte da missionária americana Dorothy Stang, assassinada em 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no sudeste do Pará. Esta é a segunda sessão de julgamento de Bida, apontado como mandante do crime. No primeiro julgamento, ele foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado.

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Além de Bida, o suspeito de ser o executor do crime, Rayfran das Neves - já condenado a 27 anos de reclusão pelo crime ¿ também está sendo julgado pela segunda vez. A sessão ocorre no Fórum Criminal de Belém e a previsão é de que dure dois dias.

Interrogado pelo juiz Raimundo Moisés Flexa, Bida disse que não conhecia a vítima. "Nunca a vi, nem falei com ela. Não tinha nem motivo para fazer isso", disse referindo-se ao fato de que a Justiça do município de Altamira já havia concedido liminar de reintegração de posse da área, de sua fazenda, que estava sendo ocupada pelos colonos, liderados pela missionária.

Bida reafirmou sua versão ao promotor Édson Cardoso. "Para quê eu ia fazer uma coisa dessas, se eu não tinha problema nenhum com ela? Se outras pessoas tinham problema com ela, eu não tinha".

Sobre o fato de ter dado abrigo aos pistoleiros em sua fazenda, logo após o crime, ele disse que tomou providências assim que soube da presença de dois deles. "Quando vi que os dois (Rayfran e Clodoaldo) estavam lá, os expulsei da fazenda. Só deixei o Tato (Amair Feijóli) porque ele disse que não sabia de nada".

O fazendeiro também negou que tivesse prometido R$ 50 mil aos pistoleiros para que executassem a missionária. "De jeito nenhum, inclusive houve contradição nos depoimentos dos dois. É só ler nos autos. O Tato só voltou atrás e me acusou porque ofereceram a ele a delação premiada." O réu ainda negou que tivesse fornecido munição para os pistoleiros cometerem o crime.

Bida ainda que não havia como se comunicar com os acusados, pois o local estava sem telefone e sem rádio. "Como eles iam receber o mando se não tinha como me comunicar. Só se adivinhassem meu pensamento", ironizou ele.

Julgamento
Vitalmiro Bastos de Moura e Rayfran das Neves se beneficiaram da legislação brasileira que determina um segundo julgamento aos condenados a mais de 20 anos de reclusão.

A missionária americana Dorothy Mae Stang, foi morta com seis tiros no dia 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no sudeste do Pará. Quatro pessoas são acusadas de envolvimento no crime. Bida, apontado como mandante e Rayfran, como executor, já foram condenados a 30 e 27 anos de reclusão, em seus primeiros julgamentos.

Já Amair Feijoli da Cunha, o Tato, condenado a 27 anos de prisão como intermediário, recebeu benefício da delação premiada e teve a redução da pena para 18 anos.

O outro apontado como mandante, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, ainda não foi julgado. Ele recorreu da sentença de pronúncia e aguarda a decisão em liberdade.

Redação Terra
 
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