Secretário: líderes do crime organizado são da elite

27 de abril de 2008 • 04h23 • atualizado às 04h27

O secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Brisolla Balestreri, afirmou em entrevista ao jornal O Dia que os líderes do crime organizado no Brasil não moram nas favelas porque são de segmentos da elite da sociedade. "O crime organizado não é de periferia, não tem o seu comando nas favelas", disse.

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"Com isso, não quero dizer que eles (chefes do crime nas favelas) não sejam perigosos, nem que não devam ser combatidos. Eles têm de ser legítima e legalmente reprimidos pela polícia, pelo Estado", completou.

Um mês e meio depois de assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Balestreri diz estar trabalhando cerca de 15 horas por dia para conseguir fazer funcionar as políticas de segurança do governo federal.

Para ele, a chegada de R$ 55 milhões da Senasp destinados à formação de policiais, ao desenvolvimento de estratégias de mediação de conflito e às melhorias de renda e condições de trabalho dos agentes, será decisiva para o combate à criminalidade no Rio de Janeiro. A verba deve ser liberada nos próximos dias.

Segundo o secretário, o País ao longo dos anos não se fez presente entre os mais pobres. "Quando você tem um vácuo do poder público, naturalmente quem vai ocupar esse vácuo são grupos delinqüentes organizados". Ele ressalta, porém, que esses grupos não são a mesma coisa que o crime organizado. "Não é o crime organizado que domina favelas e presídios, são organizações que prestam serviço ao crime organizado", disse.

Balestreri afirmou ainda que não é correto culpar os usuários de drogas pelo problema da violência. "Isso está muito na moda fazer hoje. Mas o usuário está adoecido pela dependência da droga. Então é absolutamente ineficaz e equivocado querer terminar com um sistema de indústria criminosa a partir do usuário", disse. "Temos de educar o usuário para que ele saiba que a conduta dele tem uma relação sistêmica com a indústria do crime", completou.

Para ele, o papel do governo é colocar a Polícia Federal (PF) "no encalço dos chefões" e também "colocar nossa polícia ostensiva-preventiva e a Civil na contenção, tendo o cuidado de respeitar os direitos do cidadão".

O gaúcho Balestreri, que é professor de História, era diretor do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) antes de se tornar secretário Nacional de Segurança Pública. No cargo, defendeu o uso de armas não-letais pelas polícias Civil e Militar. Para ele, o modelo de policiamento incluiria conversa, proximidade com a comunidade e uso de bicicletas.

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