O radialista Dênis Araújo, da Rádio 106 FM, da cidade de Carpina, zona da Mata de Pernambuco, teria sido ameaçado de morte pelo prefeito do município, Manoel Severino da Silva (PSDB), conhecido por Manoel Botafogo. Segundo o radialista, o prefeito teria partido para cima dele, pelas costas, com uma foice. O fato ocorreu durante a cobertura de um protesto de sem-tetos. A advogada do radiasta, Lúcia Brandão, nega as acusações e afirma que Botafogo foi agredido.
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O radialista realizava a cobertura de um protesto de 14 famílias sem-teto, em frente à prefeitura de Carpina. O grupo reivindicava uma promessa de campanha do prefeito de construir casas populares. Durante um flash ao vivo para a rádio 106 FM, em que Dênis Araújo entrevistava um dos líderes do movimento, pessoas teriam alertado para a chegada de Manoel Botafogo ao local.
Logo em seguida, segundo Dênis Araújo, ele teria ouvido os gritos de "corre Dênis que o prefeito vai te matar". O radialista, que estava de costas para o prefeito, teria virado a tempo de vê-lo se dirigindo correndo com uma foice na mão para atingí-lo. Dênis Araújo saiu correndo em meio à multidão pedindo ajuda. Em determinado momento, Manoel Botafogo teria parado para tomar fôlego. Foi quando o radialista, ajudado por um mototaxista, teria conseguido fugir. Toda a confusão foi transmitida ao vivo pela rádio, já que o radialista não desligou o celular.
Por volta das 13h30, o radialista estava prestando queixa na delegacia do município. Representantes das polícias Militar e Civil estão em busca do prefeito Manoel Botafogo, que está foragido. Araújo é responsável pelo programa Cidade Alerta, na Rádio 106 FM, onde a população tem espaço aberto para reclamações e reivindicações contra a prefeitura do Municipío. Além dele, o empresário Ginei Francisco também se disse vítima de agressão verbal.
Em 1º de julho de 2005, o também radialista e vereador de Carpina, Jota Cândido foi assassinado com 20 tiros em frente à rádio Alternativa, onde trabalhava. O vereador era o autor do projeto antinepotismo que foi aprovado na Câmara Municipal e vetado pelo prefeito Manoel Botafogo. Dois meses antes de ser morto, Jota Cândido foi à polícia denunciar uma tentativa de atentado de que teria sido alvo, e chegou a responsabilizar pessoas ligadas à prefeitura de Carpina. Quatro pessoas foram presas, acusadas de serem responsáveis pela execução, entretanto, os mandantes ainda não foram identificados pela polícia.
A advogada do prefeito Manoel Botafogo, Lúcia Brandão, esteve na delegacia de Carpina nesta tarde e afirmou que o político deve se apresentar à polícia na próxima semana. Segundo ela, na próxima segunda-feira, ela irá acertar a data da apresentação com o delegado Hilton Lira. A advogada afirmou que o prefeito não agrediu, mas sim, foi agredido durante o tumulto dos sem-tetos em frente à prefeitura.
"Ao chegar à prefeitura, Manuel Botafogo foi recebido com xingamentos, jogaram pedras e depois partiram para cima dele. O prefeito só se defendeu", afirmou. Questionada sobre a foice encontrada com o prefeito, Lúcia Brandão disse que ela era usada para a poda de árvores e estava casualmente no carro.
Ainda segundo ela, Botafogo teria passado mal depois do ocorrido e foi encaminhado à Unidade Mista de Carpina, onde foi medicado e levado para outra unidade de saúde. Com a presença da advogada e o acerto para que Manoel Botafogo se apresente voluntariamente à polícia, o delegado Hilton Lira suspendeu as diligências para encontrá-lo.
- Redação Terra

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